Eleição presidencial no Uruguai deve ser decidida no 2.º turno

Eleição presidencial no Uruguai deve ser decidida no 2.º turno

Resultado oficial deve ser divulgado na segunda-feira, mas pesquisas mostram disputa entre Vázquez e Lacalle Pou

Ariel Palacios, enviado especial / Montevidéu, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 19h24

MONTEVIDÉU - Os uruguaios aguardam com ansiedade no início da noite deste domingo, 26, a divulgação das bocas de urna sobre o resultado das eleições presidenciais e parlamentares, as mais ajustadas dos últimos 15 anos nesse país. Tudo indicava segundo as últimas pesquisas, publicadas na quinta-feira, que dos sete candidatos que disputaram estas eleições, o ex-presidente Tabaré Vázquez, da coalizão de governo Frente Ampla, seria o primeiro colocado nas urnas, oscilando entre 43% e 45% dos votos, e o adversário Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, receberia de 30% a 33%.

O terceiro colocado, Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, obteria de 13% a 17% dos votos, volume eleitoral que está na mira de Lacalle Pou para o eventual segundo turno, marcado para o dia 30 de novembro. Em 1999 esses dois partidos tradicionais realizaram uma coalizão que agora poderia ser reeditada para derrotar a Frente Ampla, de centro-esquerda.


Os cálculos dos pesquisadores também indicavam que a Frente Ampla não conseguiria votos suficientes para ter maioria parlamentar própria.

Os analistas dizem que por trás das dificuldades da Frente Ampla em conseguir votos está o desgaste de dez anos de governo, além das disputas internas entre os diversos grupos que integram a coalizão, que reúne ex-guerrilheiros tupamaros, comunistas, sociais-democratas, democratas-cristãos e socialistas. Os setores posicionais mais à esquerda reclamam da "pausterização" frenteamplista dos últimos anos, especialmente pela moderação do ministro da Economia, Danilo Astori, que continuaria nessa pasta na hipótese de vitória de Vázquez.

"Quero uma mudança em meu país. Por isso votarei no Partido Nacional. Renovar é bom", afirmou ao Estado Wilson Nieto, quando saía de seu centro eleitoral, instalado em uma escola no bairro de Punta Carretas.

A votação iniciou às 8 horas e concluiu às 19:30. A Corte Eleitoral calcula que a divulgação dos primeiros resultados começará a partir das 21:30. Os resultados definitivos devem ser anunciados nesta segunda-feira ao meio-dia.

O Parlamento tomará posse no dia 15 de fevereiro. O novo presidente - sucessor de José Mujica - assumirá no da 1 de março.

Segundo Alain Mizrhai, sociólogo e diretor da consultoria Grupo Radar, os dois partidos não discutirão pontos considerados consolidados no Uruguai, como a grande presença das empresas públicas na economia, os conselhos tripartites de salários, a lei de descriminalização do aborto ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Aqui, o que se discute são as nuances de como resolver as coisas", disse ao Estado.

Fronteira. Mais de 5 mil uruguaios residentes na cidade brasileira de Santana do Livramento (RS) teriam atravessado a fronteira para votar na cidade uruguaia de Rivera. Além deles, teriam viajado uruguaios que vivem nas cidades de Bagé e Dom Pedrito.

Segundo a consultoria Cifra, 15 mil uruguaios residentes na Argentina atravessaram a fronteira para votar neste domingo no Uruguai. Os uruguaios, por determinação da presidente Cristina Kirchner, não pagaram pedágio e tiveram um desconto de 50% nas passagens de ida e volta.

Nas eleições de 2004, foram da Argentina ao Uruguai 25 mil uruguaios. Naquela ocasião, esses votos (1% do total) foram decisivos para a vitória de Tabaré Vázquez, a primeira conquista da presidência da República por parte da Frente Ampla.

Na rodoviária de Tres Cruces desembarcou no sábado à noite a uruguaia María de las Mercedes, residente há 15 anos na cidade argentina de Rosario. "Votarei na Frente Ampla, como sempre. Sou do mesmo bairro de Tabaré (La Teja) e sei que ele e o partido estão mudando o país para melhor. Por isso quero um dia voltar a morar aqui", declarou ao Estado.

Plebiscito. Os uruguaios também votaram no plebiscito sobre a proposta de redução da idade de responsabilidade penal de 18 para 16 anos. Essa redução seria aplicada, caso o plebiscito seja aprovado, para delitos como o homicídio, roubo a mão armada, estupros, entre outros. Para ser aprovada, a reforma deve contar com 50% mais um dos votos.

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