Eleição regional põe chavismo à prova

Os venezuelanos votaram ontem para escolher 23 governadores em eleições que ganharam tom decisivo depois de o presidente Hugo Chávez se submeter em Cuba à quarta cirurgia contra um câncer e o governo admitir que ele pode não tomar posse em 10 de janeiro. A maior expectativa recaía sobre Miranda, onde Henrique Capriles, derrotado por Chávez em outubro, jogava a unidade da oposição. A coesão do chavismo também dependia dessa disputa.

RODRIGO CAVALHEIRO, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h04

Capriles disputa o governo de Miranda com Elías Jaua, vice-presidente a quem Chávez incumbiu de voltar a derrotar o principal nome da oposição, que conseguiu 6,5 milhões de votos contra Chávez.

Uma nova derrota do opositor, segundo analistas, abriria um novo processo de disputa interna dentro do meio antichavista. Os primeiros resultados da eleição seriam conhecidos no final da noite de ontem.

"Caso ele perca estará praticamente fora da disputa. Mas se ganhar, se fortalece como o grande nome da oposição", disse ao Estado a historiadora e cientista política Margarita López Maya.

Para conseguir a vitória, os chavistas contavam com a mobilização no Petare, favela onde Jaua votou ao meio-dia, em uma escola pública. O candidato chavista chamou seus militantes à participação - analistas consideram que uma baixa abstenção favoreceria o chavismo. Até o meio da tarde, a participação total em Miranda era de 30%, considerada baixa.

Ao final do voto, Jaua foi interpelado pelo aposentado Reinaldo Tovar Benítez, de 69 anos, morador do Petare, que fez algumas reclamações. "Disse a ele que preciso de uma casa, não posso morrer sem ter uma", afirmou Benítez, que se apresentou como "chavista convicto" e caminhava com auxílio de uma muleta. "Fui baleado no pé direito há oito dias, o ladrão levou 50 bolos (gíria para bolívares fortes, o equivalente a U$S 10)", completou.

A insegurança é a principal fraqueza hoje do governo de Hugo Chávez, e por consequência a maior bandeira da oposição. Capriles votou em uma escola particular em um bairro nobre de Caracas (mais informações nesta página).

Sucessão. Caso Chávez se recupere, tome posse, mas morra ou se torne incapaz de concluir os quatro primeiros anos de mandato, o vice-presidente - no caso, Nicolás Maduro - assume e convoca eleição em 30 dias. Se ele não puder assumir o poder, será tarefa do presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, convocar novas eleições. Cabe ao Tribunal Supremo do país, cujos juízes são nomeados por Chávez, certificar a incapacidade física do presidente.

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