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Eleição russa tem denúncias de fraude

Partido de Putin leva 63% dos votos em meio a protestos da oposição

AP e Reuters , Moscou, O Estadao de S.Paulo

03 de dezembro de 2007 | 00h00

O partido Rússia Unida, cuja lista de candidatos era encabeçada pelo presidente Vladimir Putin, caminhava para uma vitória arrebatadora nas eleições parlamentares de ontem, em meio a inúmeras acusações de fraude e de intimidação. Até a noite, com cerca de 65% dos votos apurados, o Rússia Unida liderava com 62,8%. O Partido Comunista aparecia em segundo, com 11,7%, seguido pelo Partido Liberal Democrático (LDPR), com 8,8%, e o Rússia Justa, com 8% - os dois últimos pró-Kremlin. Só partidos com mais de 7% dos votos têm direito a assentos na Duma, a câmara baixa do Parlamento. O índice de participação foi de pouco mais de 60%.Segundo partidos da oposição e de organizações internacionais, jovens foram levados de ônibus a vários postos eleitorais para votar mais de uma vez, numa tática conhecida como "carrossel". Partidários de Putin também foram acusados de prometer prêmios e presentes para quem votasse no Rússia Unida. A única organização de observação independente da Rússia, a Golos, disse que a fraude foi sistemática. "As reclamações estão chegando de todas as partes do país", disse Grigori Melkonyans, da Golos.O Partido Comunista anunciou que vai contestar a votação. O principal líder da oposição, o ex-campeão de xadrez Garry Kasparov, também não poupou críticas. "Eles não estão apenas fraudando a votação, eles estão violentando todo o sistema eleitoral", acusou o oposicionista, que fez questão de mostrar sua cédula de votação totalmente rasurada. O governo dos EUA pediu ao Kremlin que investigue as denúncias. O Kremlin, no entanto, comemorou os resultados, considerados uma vitória pessoal para Putin - que terá de deixar a presidência no ano que vem, uma vez que a Constituição não permite o terceiro mandato. Numa possível manobra política, Putin, que deve ser nomeado primeiro-ministro, poderia voltar ao cargo se o novo presidente, que será eleito em março de 2008, renunciar. "A maioria votou pelo Rússia Unida, apoiando, portanto, o rumo estabelecido por Vladimir Putin ", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

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