Eleições ameaçam coexistência no governo francês

O presidente Jacques Chirac abriu, no último sábado, fogo cerrado contra o primeiro-ministro Lionel Jospin, seu governo e seus ministros, criticando os quatro anos da gestão socialista.Nesta segunda-feira, membros do governo Jospin saíram de seu mutismo, abrindo as baterias contra o presidente.A partir de agora há uma guerra aberta entre os dois campos, ameaçando perigosamente o sistema de coexistência de um presidente de direita e um primeiro-ministro de esquerda - fórmula que os franceses tanto apreciaram nos últimos anos.A verdade é que a coexistência francesa está no fim. Ela se esgotou antes da hora, um pouco cedo demais, nove meses antes da eleição presidencial.Está começando uma campanha eleitoral que promete ser das mais agressivas, depois que o primeiro-secretário do Partido Socialista, de Jospin, François Holande, respondeu aos ataques de Chirac, propondo "tolerância zero" para com o chefe de Estado.A França prepara-se para viver por alguns meses, até a eleição presidencial de abril/maio, uma coexistência mortífera.Jospin terá de preparar os ouvidos para a repetição de mensagens subliminares sobre seu passado trotskista, já destiladas por Chirac no sábado na televisão: "Não farei nenhum comentário sobre o percurso ideológico do primeiro-ministro."Chirac, para defender-se da cobrança da Justiça de esclarecimentos sobre o pagamento em dinheiro vivo de suas viagens de férias, o equivalente a US$ 340 mil, decidiu contra-atacar, responsabilizando o governo e a ministra da Justiça pelo cerco judiciário que já levou à convocação para depor de sua filha e poderá levar à de sua mulher nos próximos dias.Imediatamente a ministra da Justiça, Marylise Lebranchu, respondeu, dizendo que Chirac reivindica uma volta a "antigos métodos". Ela disse que prefere não interferir e manter uma Justiça igual para todos, e não como reivindica Chirac, que reafirmou sábado que "o presidente não é um cidadão comum como os demais".No fim de semana, Chirac e Jospin terão de falar a mesma língua, na reunião do G-8, em Gênova.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.