Eleições contestadas definem futuro do Sudão

Eleitores do maior país da África vão às urnas em eleição onde acusado de crimes de guerra é franco favorito

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

O presidente do Sudão, Omar Bashir, indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e contra a humanidade, deve ser reeleito na votação que começa hoje e termina na terça-feira.

Será a primeira vez em dez anos que os sudaneses depositarão seus votos nas urnas. Mais do que isso, nestes três dias eles poderão escolher candidatos de diferentes partidos, o que não ocorria desde antes do golpe de 1989, que levou o atual regime ao poder. Inicialmente, a disputa teria a presença de rivais de peso, mas os dois principais concorrentes decidiram boicotar a eleição na semana passada, deixando apenas figuras mais fracas para concorrer.

A acusação dos opositores e também de organizações internacionais que acompanham o processo, como o Centro Carter, é de que as fraudes estão disseminadas. A notícia esfriou as expectativas internacionais de uma votação livre, onde rivais de Bashir vinham fazendo campanha até mesmo na televisão e realizando atos ao redor do país com relativa liberdade.

O processo se deteriorou nas últimas semanas, com aumento da repressão do regime e violação das regras eleitorais, tornando inviável a disputa para os opositores. O governo nega e afirma que os concorrentes estão com medo de sofrer uma ampla derrota e buscam apenas, com o boicote, não dar legitimidade ao regime, segundo diz Mona Bashir, articulista do diário Sudan Vision, ligado ao governo.

Yasir Arman era considerado o rival mais competitivo de Bashir antes de anunciar a sua saída da disputa nesta semana. Integrante do Movimento pela Libertação do Povo do Sudão (SPLM, na sigla em inglês), ele era oriundo do norte, mas com forte presença na região sul do país que, no ano que vem, decidirá em referendo se pretende se emancipar (Darfur não integra o território a ser emancipado). Por um lado, o opositor contava com o apoio dos sudaneses negros não islâmicos, que são perseguidos pelo regime de Bashir. De outro, Arman recebia o apoio também de alguns árabes do norte insatisfeitos com o radicalismo religioso da administração de Bashir. Seu partido ainda disputará vagas no Congresso, menos na região de Darfur, onde ocorreu um genocídio em que mais de 300 mil pessoas morreram. Sadiq al-Mahdi, do partido de corte mais religioso Umma, também desistiu de concorrer. Indo além do SPLM, seu partido abandonou a eleição parlamentar em todo o Sudão.

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