Eleições de hoje definem permanência da Grã-Bretanha na União Europeia

Disputa. Pesquisas indicam empate entre os partidos Conservador e Trabalhista, o que deverá levar a uma negociação para a formação de uma coalizão com os partidos menores; atual premiê promete responder à questão da imigração com um referendo sobre a UE

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2015 | 02h04

A Grã-Bretanha realiza hoje a eleição mais disputada em décadas. O atual primeiro-ministro, David Cameron, do Partido Conservador, e Ed Miliband, líder do Partido Trabalhista, vão às urnas em meio a pesquisas que mostram um empate.

O quadro aponta para uma eleição sem maioria no Parlamento, o que deverá deflagrar frenética negociação para a formação de uma coalizão. Por isso, o apoio dos partidos menores será determinante para saber quem será o novo premiê.

Pesquisas divulgadas ontem mostram os dois partidos numericamente empatados. Levantamento do instituto YouGov mostra ambos com 34% das intenções de voto. Pesquisa ICM/Guardian traz as duas agremiações com 35% de apoio.

Conservadores e trabalhistas chegam empatados após uma campanha que marcou a mudança da agenda do país. Em 2010, quando Cameron conseguiu formar um governo de coalizão com o centrista Partido Liberal-Democrata, o grande problema era a economia. Ainda no rescaldo da crise de 2008, a Grã-Bretanha sofria e a rigidez econômica conseguiu atrair votos.

A Grã-Bretanha mostra que o pior já passou. No ano passado, a economia britânica foi a que mais cresceu entre as sete maiores do mundo, o G7. Ainda que dados recentes mostrem que o brilho perdeu força, o tema deixou de ser o principal problema.

Agora, é a austeridade de Cameron, razão do sucesso do início do governo, que começa a dar sinais de cansaço. Repetidos cortes no orçamento da área de saúde levaram o tema a ocupar o primeiro lugar na lista das preocupações dos britânicos. Motivo de orgulho e tema de homenagem até na Olimpíada de 2012, o Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) é citado por 47% dos eleitores como o problema mais importante do país, segundo pesquisa Ipsos Mori.

Esse é um dos temas preferidos de Miliband. O opositor promete contratar 20 mil enfermeiros, 8 mil médicos e 3 mil parteiras com o aumento dos impostos dos mais ricos e de setores como o financeiro e tabagista.

O segundo problema mais citado pelos britânicos é a imigração. Diante do problema, o atual premiê tem uma resposta mais contundente: promete realizar um referendo sobre a permanência do país na União Europeia. Se o "não" vencer, será fechada a porta que permitiu a entrada de milhares de estrangeiros. Isso poderia aliviar as contas públicas.

Coalizão. Apesar de os dois líderes serem os principais personagens da disputa, o sistema eleitoral britânico é parlamentarista. Isso quer dizer que os eleitores definirão as 650 cadeiras da Câmara dos Comuns, o colegiado que determina o primeiro-ministro.

Com base nas pesquisas, um grupo de professores liderado por Jack Blumenau, da London School of Economics, prevê que 281 cadeiras serão obtidas pelos conservadores e 266 pelos trabalhistas - números insuficientes para eleger o chefe de governo, que precisa do apoio 326 parlamentares. Por isso, o respaldo dos demais partidos será essencial. O Partido Nacional Escocês (SNP) deve obter 52 cadeiras e o Partido Liberal-Democrata, 26. Os demais devem ter 25 parlamentares somados, mostra a projeção.

O SNP é um grupo mais alinhado com os trabalhistas e já ofereceu apoio para derrotar Cameron. Mas Miliband o rejeitou temendo legitimar a bandeira de independência da Escócia carregada pelo SNP.

Atuais aliados de Cameron, os liberais-democratas deverão ser cortejados pelos dois grupos. Mas, na reta final da campanha, Nick Clegg, líder do partido, atacou o partido de Cameron após a insinuação de que os conservadores poderiam obter a maioria do Parlamento.

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