Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Eleições de novembro nos EUA serão chance de redenção para institutos de pesquisa 

Institutos americanos cometeram erros de cálculo e previsão na última disputa presidencial quando não indicaram a vitória de Trump

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2018 | 16h33

WASHINGTON - As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para o próximo dia 6 de novembro, se apresentam como uma oportunidade para as empresas de pesquisas eleitorais de se redimirem dos erros de cálculo e previsão que cometeram na última disputa presidencial, quando não indicaram a vitória de Donald Trump.

"Acredito que as próximas eleições são uma oportunidade para que os pesquisadores se redimam. O mais importante que aprendemos depois de 2016 é que o modelo de participação é muito mais importante do que se pensava", afirmou à agência EFE o presidente da empresa de pesquisa Data Orbital, George Khalaf.

Khalaf explicou que as pesquisas que indicaram em 2016 que a candidata democrata Hillary Clinton ganharia em Estados como Michigan e Pensilvânia - nos quais Trump venceu - "não refletiram com precisão o nível de educação como uma medida de quem iria votar".

Os pesquisadores assumiram então que uma certa porcentagem do eleitorado seriam eleitores brancos sem educação universitária, mas a realidade foi que esse perfil de eleitor representou dois pontos porcentuais a mais que o esperado em Estados como os citados.

"Os pesquisadores, além dos clientes que solicitam as pesquisas e os meios de comunicação que resumem os resultados, devem ser diligentes em fazer todas as perguntas demográficas adequadas e terem bons dados históricos para moldá-los", ressaltou Khalaf, que dirige a empresa com sede no Arizona.

Com essa análise concordou a diretora de pesquisa do Pew Center, Courtney Kennedy, que considerou que houve "grandes erros problemáticos" nas pesquisas em nível estadual, que contribuíram para uma percepção errônea da certeza de que Hillary ganharia.

"Alguns pesquisadores em nível estadual mudaram um pouco seus métodos para tentar ajustar-se àquilo que saiu errado em 2016; o setor reagiu", disse Kennedy à EFE.

As pesquisas prévias às eleições presidenciais alimentaram prognósticos que indicavam que a probabilidade de que Hillary chegasse à Casa Branca era de cerca de 90%.

Quando Trump foi declarado ganhador das eleições, "foi uma surpresa até mesmo para seus próprios pesquisadores", lembrou Kennedy, que trabalha com empresas pesquisadoras de todo o espectro americano.

Erros

Um relatório da Associação Americana para a Pesquisa de Opinião Pública, liderado pelo Pew Center, determinou que existiram vários erros que o setor quer agora levar em conta.

Entre outros erros, se menosprezou os votos das pessoas com menos escolaridade, não se calculou bem a mudança de voto na última semana de campanha e não se levou em conta que os eleitores de Trump eram "menos inclinados" a revelar sua decisão.

"Os eleitores com níveis de educação superior eram mais propensos a apoiar Hillary. Muitos institutos não ajustaram suas ponderações para corrigir a representação excessiva de graduados universitários, e o resultado foi uma estimativa maior do apoio à candidata democrata", aponta o estudo.

Anotados os erros, as pesquisadoras veem as próximas eleições legislativas como "uma oportunidade de redenção", indicou o diretor da Harris Poll, Mark Penn, ao jornal americano The Hill.

"Essa é a oportunidade para que a profissão eleitoral se redima: os republicanos perderão a Câmara (dos Deputados) e conseguirão o controle do Senado", previu um convencido Penn.

Essas previsões se encaixam com a imensa maioria das pesquisas pré-eleitorais publicadas nas últimas semanas nos EUA, que apontam que os democratas recuperarão a Câmara.

No próximo dia 6 de novembro, os cidadãos americanos decidirão com seu voto quem ocupará as 435 cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, um resultado que definirá os dois anos restantes de mandato do "inesperado" presidente Trump. / EFE

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