Eleições definirão governo Kirchner

Segundo analistas, eleição de Néstor em 2011 fica mais difícil

Denise Chrispim Marin e AP, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

29 de junho de 2009 | 00h00

O governo de Cristina Kirchner terá oito meses para controlar o Congresso argentino, mesmo que os resultados das eleições parlamentares de ontem apontem para a perda da maioria nas duas Casas. O novo Congresso tomará posse no dia 10 dezembro, mas apenas em março de 2010 terá poder de legislar. Ainda assim, uma vitória nas eleições não garante a eleição de Néstor Kirchner na campanha presidencial de 2011."Já não há mais possibilidade para Kirchner em 2011", afirmou o economista Orlando Ferreres. "Os Kirchner não controlaram os gastos públicos quando a economia argentina crescia a 9% ao ano. Agora, com a recessão, será difícil darem a volta por cima.""O futuro é um mistério", afirma o economista Juan Carlos de Pablo. "O crescimento que o país teve entre 2003 e 2008, de 8,4% em média por ano, não será repetido. Nem com Deus como ministro os Kirchners terão de novo esse crescimento." Para ele, uma derrota esmagadora teria consequências sérias, como a antecipação da eleição presidencial de 2011.Nos últimos dias, a oposição alertou para o risco de os Kirchners desatarem uma onda estatizante e assistencialista, tanto em um cenário de vitória como de derrota. "Se ganharem, os Kirchners irão atrás dos bancos, dos depósitos bancários da população, da propriedade privada e da mídia", afirmou ao Estado o principal rival de Kirchner em Buenos Aires, o empresário Francisco de Narváez, da coalizão União-PRO. Segundo Ferreres, Cristina Kirchner terá de encarar uma queda do PIB de 5% em 2009, depois de seis anos de crescimento. A inflação, rondando os 15% ao ano, e o aumento do desemprego também deterioram a popularidade do governo.Em qualquer dos cenários, um dos primeiros atos do governo deve ser a demissão do ministro da Economia, Carlos Fernández, visto no país como um títere. Rumores apontam para a sua substituição por Débora Giorgi, ministra da Produção, que não esconde sua tendência protecionista, sobretudo em relação ao Brasil.Para o analista Rosendo Fraga, do centro de estudos Nova Maioria, a decadência do casal Kirchner se deve ao fato de o modelo kirchnerista lembrar o autoritarismo econômico vigente na Rússia. "É um capitalismo de amigos", disse.

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