Nasser Shiyoukhi/AP
Nasser Shiyoukhi/AP

Eleições egípcias são um pesadelo para Israel

Temor de islâmicos no poder pode fazer com que governo aumente gastos com a defesa

CRISPIAN BALMER, REUTERS, É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2011 | 03h04

Artigo

Sentindo-se vingado, mas vulnerável, Israel se prepara para uma relação diferente com o Egito, onde o poder islâmico está em ascensão, como previam os líderes israelenses no início de primavera árabe, há dez meses. Preocupado com as ambições nucleares do Irã, o triunfo eleitoral dos religiosos e ultraconservadores no Egito reforçou o sentimento de isolamento dos israelenses.

O governo silenciou-se sobre a eleição. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu deixou claro que Israel pode, em breve, ter de aumentar os gastos com defesa para enfrentar o desafio de uma islamização crescente do mundo árabe. "Estamos obviamente muito preocupados com a primavera árabe", disse Shlomo Brom, pesquisador da Universidade de Tel-Aviv. "Quando os israelenses pensam em governos islâmicos, o modelo é o iraniano. Ainda não está claro como será o Egito controlado pela Irmandade Muçulmana."

Fundada em 1928 e há muito visto como o grupo político mais organizado do Egito, a Irmandade Muçulmana adotou, nos últimos meses, fala a mesma retórica dos reformistas, que defendem a democracia, o Judiciário independente e igualdade social. Seus críticos, porém, dizem que esse tipo de discurso mascara o verdadeiro objetivo da organização: transformar silenciosamente o Egito em um Estado islâmico.

Parte da política externa de Israel é apoiada por um acordo de paz de 33 anos com o Egito, que permite que país reduza seu orçamento militar e mantenha o status quo de suas relações com os palestinos. Egito de Hosni Mubarak também fornecia 40% do gás que Israel consumia e desempenhou um papel vital para limitar o fornecimento de armas ao grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

"A Irmandade Muçulmana assumir o maior país árabe do mundo não é uma boa notícia", disse Uri Dromi, porta-voz do ex-premiê Yitzhak Rabin. "Eles serão mais hostis, mas não a ponto de quebrar o acordo de paz." Alguns elementos da relação, porém, já cederam. O gasoduto tem sido repetidamente sabotado no Sinai, região cada vez mais sem lei. A Embaixada de Israelense no Cairo foi atacada em setembro. Além disso, a relação do novo governo egípcio com o Hamas esquentou.

Enquanto a tensão com o Irã cresce e a Síria afunda na violência, Israel se esforça para não irritar ainda mais o mundo árabe. "Há relatos na imprensa egípcia de que se Israel tomar medidas unilaterais, que o ódio se voltaria contra nós", disse um funcionário israelense esta semana. Uma vítima silenciosa da primavera árabe, porém, parece ter sido o Estado palestino. "Por que criar mais um país árabe agora, quando todos os outros estão desintegrando?", questiona Bechor.

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