Eleições em Buenos Aires transcorrem com normalidade

Com frio intenso na capital argentina hoje, o segundo turno das eleições à Prefeitura de Buenos Aires transcorre com normalidade e sem nenhuma surpresa. Vitorioso no primeiro turno com 47% dos votos, o atual chefe de Governo de Buenos Aires, Maurício Macri, líder do opositor Proposta Republicana (PRO), de centro-direita, deve ampliar esse porcentual para mais de 60%, conforme pesquisas de opinião. O candidato da presidente Cristina Kirchner, o ex-ministro de Educação e atual senador, Daniel Filmus, aparece nas pesquisas com apenas 36,4% da preferência do eleitorado.

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

31 de julho de 2011 | 12h44

No primeiro turno, Filmus ficou 20 pontos porcentuais abaixo de Macri e a campanha dele não conseguiu decolar. Pelo contrário, o senador reclamou publicamente de erros de marketing e até mudou os coordenadores da campanha. Além disso, Filmus não teve o apoio necessário do governo para tentar levantar sua imagem no segundo turno. Após o resultado da primeira rodada, no dia 10 de julho, a presidente e seus ministros e até assessores do candidato o abandonaram. A Casa Rosada tem a clara estratégica de produzir um "efeito teflon" em relação aos candidatos que derraparam, para tentar evitar um contágio da campanha à reeleição de Cristina.

O distrito eleitoral de Buenos Aires é o terceiro do país e tem peso de 8,6% dos votos nacionais. No domingo passado, o governo amargou derrota na província de Santa Fé (o quarto distrito), que representa 8,5%. No próximo domingo será a vez das urnas de Córdoba (o segundo distrito), equivalentes a 8,7% do país. Nestas duas províncias, a oposição se expressou por meio do "voto do campo", ou seja, dos produtores rurais, em conflito permanente com o governo desde 2008.

A presidente e seus seguidores têm apostado na estratégia do "já ganhou", devido às sete vitórias anteriores de seus candidatos em distritos pequenos e à elevada aprovação da opinião pública a Cristina, após a morte do marido. As pesquisas indicam um triunfo de Cristina no dia 23 de outubro com uma folgada margem que evitaria um segundo turno. Mas a resposta de Buenos Aires e Santa Fé e a provável derrota em Córdoba, que representam quase 26% do eleitorado nacional e cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, estimularam a oposição. Muitos acreditam que esse clima mudou e que existem chances de levar a definição das eleições presidenciais para o segundo turno.

Porém, os analistas afirmam que é cedo para determinar se há uma mudança de clima. "É preciso ter cautela na afirmação de que o cenário político mudou em razão dos resultados eleitorais nas províncias, porque estes acompanham realidades locais, não nacionais", afirmou o diretor da consultoria Poliarquía, Fabian Perechodnik. Segundo ele, é preciso esperar as eleições primárias de 14 de agosto, abertas e simultâneas em todos os partidos, para ver quais serão as tendências apontadas pelo eleitorado para 23 de outubro.

A presidente Cristina Kirchner pertence à Frente pela Vitória, uma sublegenda do Partido Justicialista (PJ) criada pelo marido dela, o ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu em outubro do ano passado. O PJ é um emaranhado de sublegendas do peronismo, a maior corrente política do país inspirada pelo ex-presidente Juan Domingo Perón. Algumas delas fazem oposição ao governo, como a liderada pelo ex-presidente Eduardo Duhalde ou a do governador de San Luis Alberto Rodriguez Saá, que também são candidatos à presidência.

Nenhum deles aparecem bem posicionados nas pesquisas para ameaçar a vitória de Cristina no primeiro turno. Tampouco o candidato do partido opositor União Cívica Radical (UCR), Ricardo Alfonsín. A oposição dentro e fora do peronismo continua pulverizada, mas existem variáveis que poderiam somar votos contra o governo.

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