Eleições em Israel: colonos ganham força e paz 'fica distante'

Partidos de extrema-direita que negam a possibilidade de um Estado palestino crescem às vésperas de pleito de 22 de janeiro

BBC

09 de janeiro de 2013 | 13h12

TEL-AVIV - O crescimento de partidos identificados com a colonização dos territórios palestinos aumenta o pessimismo sobre as chances de que haja um acordo de paz a curto ou médio prazo.

Duas semanas antes das eleições gerais, previstas para o dia 22 deste mês, as pesquisas apontam o partido religioso nacionalista Habait Hayehudi (O Lar Judaico) como o grande "meteoro" do pleito. O partido, que representa os colonos israelenses que vivem em assentamentos no território palestino da Cisjordânia, deve obter de 14 a 18 cadeiras (de um total de 120) na próxima legislatura do Parlamento.

O Lar Judaico defende a anexação de 60% dos territórios palestinos ocupados por Israel e se opõe à possibilidade de criação de um Estado Palestino. Em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, nesta semana, o líder do partido, o religioso nacionalista Naftali Bennett, disse que um "Estado árabe independente simplesmente não vai acontecer".

"Um Estado palestino será um desastre para os próximos 200 anos", disse. "Eu quero que o mundo entenda que um Estado palestino significa a não existência de Israel. Essa é a equação", afirmou.

Transferência de votos

Até agora um partido pequeno no Parlamento, o Lar Judaico se ampara no apoio dos eleitores conservadores que antes votavam na direita secular, em partidos como o Likud, do atual primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu.

Boa parte do apelo de Naftali Bennett vem de sua carreira como milionário bem sucedido no ramo da tecnologia. Após servir em uma unidade de elite do Exército israelense, ele desenvolveu um software de segurança - que foi vendido, há sete anos, por US$ 145 milhões.

As pesquisas indicam que o Lar Judaico, amparado por uma campanha eleitoral de peso, deve se transformar no segundo maior partido da próxima coalizão governamental, conferindo aos colonos uma força politica sem precedentes. A expectativa é que Netanyahu continue como primeiro-ministro.

'Fim do Estado palestino'

Para Alon Liel, ex-diretor geral do Ministério das Relações Exteriores, se Bennet tiver uma posição de força no próximo governo e conseguir impor seu programa politico à coalizão, "será o fim do Estado Palestino e de qualquer chance de acordo de paz". "Também será o fim das relações entre Israel e os países europeus", disse Liel à BBC Brasil.

A expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia, considerado ilegais, é o maior empecilho para as negociações de paz e alvo de frequentes críticas de aliados ocidentais, inclusive os Estados Unidos. "A Europa não aceitará essa posição e poderá até decretar sanções econômicas contra Israel", diz Liel.

Bennet defende a anexação de cerca de 60% da Cisjordânia - uma área que inclui os assentamentos e o Vale do Jordão (na parte leste) - a Israel. Os 2,5 milhões de palestinos que vivem na Cisjordânia devem ter algum grau de "autonomia" nos 40% restantes, defende Bennet, mas não um Estado soberano.

Alon Liel alerta que "essa posição não é só do Lar Judaico, mas também tem muitos simpatizantes na liderança do próprio partido governista".

Pressão internacional

De acordo com o analista palestino Jad Ishaq, diretor do Instituto de Pesquisa Socioeconômica de Belém, o fortalecimento político do Lar Judaico indica que "os colonos vão receber todo o apoio do governo, ainda mais do que no governo anterior". "A questão principal é: o que fará a comunidade internacional?", pergunta Ishaq.

De acordo com as pesquisas de opinião, o mapa politico em Israel está dividido em dois grande blocos. O primeiro, que deverá obter cerca de 67 cadeiras (entre 120) no Parlamento, é o bloco de direita, extrema-direita e partidos religiosos.

O segundo bloco, que deverá obter as 53 cadeiras restantes, inclui os partidos de centro, de esquerda e os três partidos que representam os cidadãos árabes de Israel.

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