Eleições em Israel dão a Netanyahu uma coalizão reduzida e instável

O governo de Binyamin Netanyahu foi pego de surpresa ontem pelo alto comparecimento israelense às urnas, em uma disputa bem mais apertada do que o previsto e com a centro-esquerda ganhando espaço. Apurados 75% dos votos, a aliança Likud-Yisrael Beiteinu, liderada pelo primeiro-ministro, tinha obtido 31 assentos dos 120 da Knesset (Assembleia) - 11 a menos do que tem atualmente. Em seguida, vêm o centrista Yesh Atid, com 19, e os trabalhistas, com 15.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2013 | 02h01

Juntos, os partidos do bloco da direita teriam 61 cadeiras - apenas 1 a mais do que o necessário para formar uma coalizão governista na Knesset. Netanyahu poderá continuar no cargo de premiê, mas dependerá de uma base governista estreita e instável.

Horas antes do fechamento das urnas, o primeiro-ministro fez um apelo a seus partidários. "O governo do Likud está em perigo. Peço a você que pare agora o que estiver fazendo e vá votar. Isso é muito importante para garantir o futuro de Israel", exortou Netanyahu no Facebook. O aumento do comparecimento às urnas não teria atingido redutos do partido do premiê.

À noite, depois da divulgação dos resultados da boca de urna, Netanyahu fez um discurso de vitória no qual disse que vê "muitos sócios" para formar uma coalizão "o mais ampla possível" - uma indicação de que ele pretende estender a mão a partidos fora do campo da direita. Ele também declarou que seu principal objetivo será impedir o Irã de obter armas nucleares.

Em regiões que costumam votar mais na centro-esquerda, eleitores foram em massa às urnas. O número de árabes-israelenses também superou as expectativas - ontem, o patriarca da Igreja Ortodoxa em Jerusalém exortou fiéis a participarem das eleições. O índice de comparecimento teria alcançado 64% em comparação a 59% em 2009.

A grande surpresa da votação foi o partido centrista Yesh Atid, do popular jornalista Yair Lapid, um novato na política, que se tornará a segunda maior força política de Israel. A legenda põe ênfase no secularismo do Estado e em questões econômicas. Os trabalhistas - que por décadas governaram o país, mas perderam força nos últimos anos - mais do que duplicaram sua presença na Knesset. O quarto partido mais votado foi o partido religioso sefardita, que elegeu 12 deputados.

Tido como a surpresa da campanha eleitoral, o partido de extrema direita Bayit Yehudi, do carismático empresário de tecnologia Naftali Bennett, conseguiu 11 cadeiras, menos do que o esperado. O centrista Hatnuah, da ex-chanceler Tzipi Livni, obteve 7 cadeiras e o partido esquerdista Meretz, 6. A Lista Árabe Unida conseguiu eleger apenas 4 representantes na Knesset.

Governo. Pelo sistema parlamentarista israelense, o líder do partido com a maior bancada na Knesset recebe do presidente - atualmente Shimon Peres - o direito de tentar formar uma coalizão. Se ele fracassar em atrair para a base governista ao menos 50% dos do Parlamento, o representante da segunda maior legenda busca forjar uma aliança - e assim sucessivamente. Caso nenhum partido tenha sucesso, novas eleições são convocadas. Em 2009, o Kadima foi eleito com a maior bancada, pela diferença de uma cadeira em relação ao Likud. Mas, como não conseguiu formar um governo, assumiu Netanyahu.

Surpreendidos pelo resultado da boca de urna, líderes trabalhistas afirmaram ao Haaretz que apoiariam um governo de centro sob a liderança de Lapid. A ex-chanceler Livni também disse que está disposta a unir força com a legenda centrista e com os trabalhistas. / REUTERS, AP e AFP

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