Eleições em Uganda ocorrem sem incidentes e com grande participação

Os habitantes de Uganda compareceram em massa às urnas nesta quinta-feira para participar de eleições sem precedentes desde 1980, em um dia sem acidentes graves, apesar dos problemas de organização e da chuva que caiu em muitos lugares. Os portões dos postos de votação foram fechados às 11 horas, horário de Brasília, e os resultados serão conhecidos no sábado.Cerca de 10 milhões de pessoas estão registradas para votar, de um total de 27 milhões de habitantes e embora haja cinco candidatos, a luta está centrada entre atual chefe de Estado, Yoweri Museveni, e o líder opositor Kizza Besigye. Museveni, do Movimento de Resistência Nacional (NRM), é o favorito e optou por apresentar-se como candidato apesar de ter dito, em 2001, que o mandato que então se iniciava seria seu último. Kizza Besigye foi seu antigo companheiro de luta guerrilheira, e agora é o líder da Frente para a Mudança Democrática (FMD).Com essa votação, chega ao fim os vinte anos em que prevaleceu no país um sistema político unipartidário. Em funcionamento desde 1986, quando Museveni chegou ao poder, este sistema foi proposto pelo presidente como "solução" às rivalidades entre os partidos políticos e os grupos étnicos que dividiam o país.A Constituição foi reformada em 28 de julho do ano passado, para permitir a participaçãode partidos políticos, mas também para aumentar o tempo dos mandatos presidenciais.O deputado holandês, Max van den Berg, chefe da missão eleitoral, declarou que as pessoas terão a oportunidade de escolher entre a continuidade e a mudança e que a intimidação sofrida pela oposição não ajudou muito.A intimidação incluiu a prisão de Besigye pouco depois de seu retorno ao país, em 26 de outubro do ano passado, acusado de traição, estupro e terrorismo, o que para seus partidários foi apenas uma maneira de frustrar sua carreira política. Ele ganhou a liberdade depois de pagamento de fiança.A primeira avaliação da União Européia apontou vários problemas no registro dos eleitores, além da pouca informação sobre os locais dos colégios eleitorais. Em muitas zonas do país, inclusive na capital, a forte chuva que caiu duas horas antes do fechamento das urnas impediu que muitos votassem, já que a maioria dos centros eleitorais eram ao ar livre.Entre os incidentes registrados está a prisão do candidato à prefeitura da capital, Nasser Ssebagala, que teria feito campanha no dia das eleições. Quatro pessoas também foram presas em Kisasi por supostamente colocar mais de um voto nas urnas.

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