EFE/ Claudio Longo
EFE/ Claudio Longo

Eleições europeias: populistas podem afetar equilíbrio histórico de forças

Pesquisas nos 28 países-membros do bloco indicam que liberais e nacionalistas, com ganhos de 40 e 46 cadeiras, respectivamente, devem ser os grupos que mais crescerão no Legislativo da União Europeia

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 16h56

BRUXELAS - Mais de 400 milhões de eleitores nos países da União Europeia (UE) foram convocados às urnas, de 23 a 26 de maio, para eleger um novo Parlamento Europeu, no qual os partidos populistas devem registrar avanço, impulsionados pela questão migratória.

De acordo com as pesquisas, as forças hostis à UE estarão longe de ter maioria. Contribuirão, porém, para alterar equilíbrios históricos da Casa. Desde 1979, o Parlamento Europeu é dominado de maneira quase ininterrupta pelos dois grandes partidos da direita e da esquerda pró-europeus.

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Ironia da história: a votação começará no Reino Unido. O país será obrigado a participar, já que seu acordo de divórcio com a UE ainda não foi ratificado.

Serão especialmente acompanhados os resultados dos partidos de extrema direta Reunião Nacional, de Marine Le Pen, na França; da Liga, de Matteo Salvini, na Itália; e do Partido do Brexit, do eurófobo Nigel Farage, no Reino Unido.

"Irradiação" da extrema direita

A renovação dos 751 membros do Parlamento é, tradicionalmente, marcada por uma forte abstenção, mesmo sendo uma peça fundamental na elaboração das leis europeias.

Esse desinteresse dos eleitores seguiu em um crescente desde sua primeira edição, em 1979. A abstenção pulou de 38%, naquele ano, para 57,4%, em 2014, quando foi realizada a última eleição. Esse índice foi especialmente forte nos países do Leste Europeu, como a Eslováquia, onde atingiu 87%.

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Imigração e proteção do meio ambiente - um tema que emergiu diante da mobilização de jovens em vários países - são considerados os principais desafios para o futuro da UE, de acordo com uma pesquisa YouGov, realizada com 8.021 pessoas em oito países (Bélgica, França, Alemanha, Itália, Espanha, Polônia, Hungria e Suécia) e publicada em maio.

Quatro anos após a crise migratória de 2015 e ainda que o fluxo de chegadas não pare de cair, a extrema direita continua a concentrar seu discurso nessa temática.

Também é em torno desta questão, que se tornou uma linha de ruptura no continente, que Salvini e Le Pen tentam formar uma frente comum das forças nacionalistas. Segundo a última projeção publicada pelo site Europe Elects com base em pesquisas nos 28 países-membros, na nova legislatura, sua bancada atual, a ENF, poderia chegar a 82 eleitos (um ganho de 45 cadeiras).

"Hoje, há quase 25% de eurocéticos no Parlamento, podendo chegar a 35%", considera o presidente da Fundação Robert-Schuman, Jean-Dominique Giuliani. "Não vai bloquear o Parlamento, mas terá uma irradiação, uma influência sobre os partidos de direita, ou de extrema esquerda, nas temáticas", completou.

Além disso, se estes partidos, que querem mudar a UE por dentro, têm na imigração uma agenda comum, estão longe de chegar a um acordo sobre outros temas importantes. Entre eles, por exemplo, a postura do bloco em relação à Rússia de Vladimir Putin.

Papel fundamental dos liberais?

Em relação aos dois grandes grupos tradicionais - o EPP, à direita, e os social-democratas (S&D), à esquerda -, perderiam cada um 42 e 32 assentos, respectivamente, ficando sem sua maioria, segundo a projeção.

Os Verdes, que podem se beneficiar do movimento pró-clima, especialmente na Bélgica e na Alemanha, devem ganhar ao menos duas cadeiras. 

Diante dessa recomposição, os liberais esperam aproveitar ao máximo a situação. A favor de uma ampliação dos macronistas do República em Marcha, este grupo espera ter um papel central, tornando-se a terceira principal força na nova legislatura, ganhando ao menos 40 cadeiras.

"Há uma forte probabilidade de que seja necessário ter pelo menos três grupos para formar uma maioria, uma verdadeira novidade no Parlamento", afirmou Giuliani.

Esse jogo de alianças será crucial para designar as futuras lideranças da UE, incluindo o sucessor de Jean-Claude Juncker na Comissão Europeia. Uma disputa que vai se acelerar no dia seguinte das eleições. / AFP

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