Eleições líbias têm protestos e lágrimas de alegria

Cidadãos se despedem do legado de Muamar Kadafi, após 60 anos sem eleição nacional

estadão.com.br,

07 de julho de 2012 | 11h40

TRÍPOLI - Multidões de líbios felizes, alguns com lágrimas nos olhos, se despedem do legado de Muamar Kadafi neste sábado, 7, enquanto votam na primeira eleição nacional livre em 60 anos.

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Porém, na cidade de Benghazi, no leste do país, berço da insurreição no ano passado e que agora busca maior autonomia ante o governo interino, manifestantes invadiram locais de votação e queimaram centenas de cédulas eleitorais.

Os líbios selecionam uma assembleia de 200 membros que vai eleger o primeiro-ministro e seu gabinete, antes de preparar o terreno para as eleições parlamentares do ano que vem, sob uma nova constituição.

Candidatos com agendas islâmicas são maioria entre os mais de 3.700 aspirantes, sugerindo que a Líbia será o próximo país da Primavera Árabe -após Egito e Tunísia- a ver partidos religiosos garantindo controle sobre o poder.

Em Benghazi, testemunhas disseram que os manifestantes invadiram um local de votação logo após o início das eleições e queimaram publicamente centenas de cédulas na tentativa de minar a credibilidade da eleição.

Um delegado da comissão eleitoral disse que dois outros locais de votação em Benghazi também tiveram suas caixas de cédulas saqueadas.

Mais de 100 colégios eleitorais fechados

O presidente da Comissão Suprema Eleitoral da Líbia, Nouri al Abar, disse neste sábado, 7, em entrevista coletiva que 101 colégios eleitorais dos 1.554 localizados em todo o país não abriram suas portas por razões técnicas ou de segurança.

Na primeira entrevista coletiva concedida por Al Abar desde a abertura dos centros de votação, o presidente da comissão eleitoral informou que 94% dos colégios haviam começado a receber os eleitores normalmente a partir das 8horas (local, 3h de Brasília).

O presidente da comissão eleitoral comentou que até as 12h (7h de Brasília) a participação havia sido "boa em alguns lugares e muito boa em outros, apesar das altas temperaturas", mas não divulgou nenhum número.

Por sua vez, o porta-voz do Ministério do Interior, o oficial Aref al Juya, reconheceu que a situação de segurança obrigou a suspensão da votação em alguns colégios eleitorais, mas ressaltou que as forças de segurança conseguiram restabelecer a calma em muitos desses lugares.

Os principais problemas foram registrados no leste do país, onde desde março numerosas vozes convocam ao estabelecimento de uma Líbia federal, composta por uma província ocidental, com Trípoli como capital, outra oriental, com Benghazi como principal centro urbano, e uma meridional, com a cidade de Sebha à frente.

Além disso, muitas pessoas nessa região denunciaram uma repartição desigual das 200 cadeiras do Conselho Nacional Geral, e sustentam que Trípoli sai injustamente beneficiada com 100 deputados, contra 60 de Benghazi e 40 de Sebha.

Cerca de 2,8 milhões de líbios estão convocados neste sábado às primeiras eleições realizadas no país desde 1964, para a escolha do substituto do ditador Muammar Kadafi, morto em 20 de outubro do ano passado.

Com Reuters e Efe

 

 

 

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