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Eleições Mexicanas: López Obrador aposta no social e é obcecado pelo poder

O candidato à presidência Andrés Manuel López Obrador, para muitos a opção mais clara de mudança no México, é admirado por seu carisma e temido por sua restrita inclinação para o diálogo e obsessão pelo poder.O ex-prefeito do Distrito Federal da Cidade do México tem na cidade milhões de eleitores fiéis, fator que pode ser decisivo para um trunfo nas eleições deste domingo.Com slogans como "A honestidade valente" e "Pelo bem do México, primeiro os pobres", o líder do Partido da Revolução Democrática (PRD) apresentou-se ao eleitorado como um homem incorruptível e determinado, que lutará para construir um país mais justo.Nascido em 1953 na cidade de Macuspana, ele deu seus primeiros passos na política dentro do Partido Revolucionário Institucional (PRI), do qual chegou a ser presidente em seu estado natal, antes de passar para o PRD.López Obrador é visto por grande parte dos mais pobres e por um setor da elite intelectual como um homem apaixonado, espontâneo, trabalhador e de firmes convicções.Sua capacidade de gestão foi avaliada quando ele exerceu a Prefeitura do Distrito Federal (2000-2005), na Cidade do México, cargo no qual concentrou boa parte da atenção política do país com suas críticas ao presidente Vicente Fox.Suas credenciais pessoais foram investigadas muito de perto com vários escândalos próximos, particularmente o que envolveu tráfico de influência e pagamentos clandestinos recebidos em 2004 por colaboradores próximos.Mas López Obrador travou sua maior batalha política até agora em 2005, quando, como prefeito, não aceitou a ordem de um juiz de parar uma pequena obra na cidade e cometeu desacato.O confronto, no qual disse ter sido vítima de um "complô" tramado por Fox, quase acabou com suas chances de chegar ao comando do país, mas, em uma decisão política, o presidente decidiu não processá-lo.CríticasAlguns críticos, como o ensaísta Enrique Krauze, elogiam seus programas sociais e promessas de austeridade, mas atacam o que consideram a ambigüidade de seu projeto, seus modos políticos pouco polidos, sua falta de transparência e sua fraca prestação de contas.Para Krauze, López Obrador, viúvo e pai de três filhos, concebe a democracia "como uma espécie de mobilização social permanente" e lidera "um projeto fechado, polarizador", de estilo "messiânico".Outra crítica é a de que López Obrador entende a política como uma dicotomia entre bons e maus na qual aqueles que não concordam com ele "são os enganados pelos de cima, pelos maus da história", nas palavras de Krauze.O professor de Ciências Políticas americano George Grayson, autor de uma biografia crítica de López Obrador, concorda com o ensaísta mexicano. "É muito mais fácil vender seu programa quando se apresenta as relações de uma maneira bipolar", com o povo humilde de um lado e o neoliberalismo como encarnação de todos os males, do outro, disse Grayson.Para o doutor em Relações Internacionais Lorenzo Meyer, amigo do candidato, aqueles que o comparam com um "messias" estão enganados e agem de forma "mal-intencionada" ao apresentá-lo como um "antidemocrata".Meyer considera que a idéia de que López Obrador busca a reeleição, como alguns argumentam, é "descabelada", porque qualquer um que tentar fazê-lo teria que mudar radicalmente a vida política mexicana.Meyer defende as posturas de López Obrador como as de alguém que procura justiça social antes de mais nada, e sustenta que não se deve comparar o México com países latino-americanos governados pela esquerda, como Brasil e Chile, porque cada nação "vai tendo a esquerda que pode".Na campanha deste ano, o ex-prefeito da Cidade do México se expôs pouco e concedeu poucas entrevistas à imprensa internacional.Jesús Ortega, um dos coordenadores de sua campanha, reconhece que este déficit de imagem existe. Ele afirma que a atual prioridade são "os eleitores mexicanos", e expressa sua confiança de que esse aspecto negativo da imagem de López Obrador irá mudar se o candidato ganhar as eleições.

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