Eleições mostram racionalidade do voto árabe

Análise: Lourival Sant'Anna

O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2012 | 03h08

A contagem preliminar indica que a Aliança das Forças Nacionais, liderada pelo ex-primeiro-ministro Mahmud Jibril, obteve mais da metade dos votos. Durante sete meses e meio, ao longo de toda a guerra civil, Jibril dirigiu o Comitê Executivo do Conselho Nacional de Transição (CNT), cargo identificado como o de "primeiro-ministro". Foi o principal interlocutor do CNT perante as potências ocidentais, tendo angariado o apoio do então presidente francês, Nicolas Sarkozy, à intervenção da Otan na Líbia.

Formado em economia e em ciência política, ex-professor da Universidade de Pittsburgh (EUA) e diretor dos dois principais órgãos de planejamento e de desenvolvimento econômico do governo de Muamar Kadafi, Jibril é visto ao mesmo tempo como experiente tecnocrata, executivo e político. Deixou o governo assim que começou a insurgência. É de longe o mais experimentado e conhecido dos líderes partidários. Durante a campanha, procurou demonstrar que é um homem crente em Deus, mas que considera funesta e desnecessária a mescla entre religião e política.

Tanto na Tunísia quanto no Egito, as forças seculares sofreram de dois problemas fatais em qualquer eleição: apresentaram-se fragmentadas e não conseguiram provar sua diferenciação em relação à ordem anterior. Os candidatos considerados experientes eram excessivamente vinculados às ditaduras ou não conseguiram aglutinar os seculares ao seu redor. Tunisianos, egípcios e agora os líbios votaram de forma racional, em quem lhes inspirou mais confiança e esperança. Como em qualquer outro lugar.

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