Esteban Martinena Guerrero/Efe
Esteban Martinena Guerrero/Efe

Eleições na Espanha são teste para socialistas

Zapatero indicou que não buscará a reeleição em 2012, mas seu partido quer se manter no poder e, para isso, tenta se aliar aos Indignados e evitar humilhação

, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

GENEBRA

As eleições municipais de domingo devem marcar a maior derrota para o Partido Socialista desde o início do governo de José Luis Rodríguez Zapatero. A votação também serve de prévia para as eleições gerais em 2012, na qual a oposição conservadora também desponta como franca favorita. Zapatero, desgastado pela crise, já anunciou que não concorre. Mas seu partido tem esperança de se manter no poder.

Mas, ontem, tanto o governo quanto a oposição davam sinais claros de estar desnorteados diante do crescimento do movimento popular. Ambos tentaram se aliar aos manifestantes, demonstrando que suas causas eram as deles e, assim, evitar uma humilhação na votação de domingo nas eleições municipais. Nas ruas, o lema do movimento dos "Indignados" é simples: no dia 22, não vote em ninguém.

Ontem, Zapatero esforçou-se para ficar ao lado dos Indignados. "Temos de escutar, ser sensíveis, pois há razões para que expressem esse descontentamento e essa crítica", disse.

Mas, temendo que o movimento espante eleitores que poderiam votar pelos socialistas, apelou para a defesa da democracia representativa. "A partir disso, temos de fortalecer, melhorar, tudo o que é base dos países que conseguiram mais liberdade, que são democráticos, com democracia representativa e partidos."

Pesquisas de opinião mostram que parcelas inteiras da população querem se vingar das medidas de austeridade dos últimos anos adotadas pelo governo e vistas como responsáveis pela estagnação da economia, a criação de 21% de desempregados e um exército de pessoas com salários de menos de 1 mil.

Mariano Rajoy, líder da oposição, usa a ocasião para mostrar que o povo está cheio do governo. Mas também pediu que a resposta seja dada nas urnas, a favor do Partido Popular. "Numa democracia, os governos que não estão à altura são retirados com o mais importante que tem uma pessoa, seu voto corajoso, livre e decidido", disse. A prefeita de Madri, Esperanza Aguirre, reforçou o pedido de Rajoy: "Democracia real é ir votar para tirar um governo que não fez o suficiente".

Mas nas ruas e praças o sentimento é que essas declarações não passam de oportunismo eleitoral. "Porque não disseram que estavam do nosso lado antes e mostraram medidas concretas?", disse por telefone ao Estado o arquiteto Daniel Ybarra. O candidato socialista ao governo de Madri, Tomás Gómez, chegou a ir até a Puerta del Sol para tentar se juntar ao grupo de manifestantes. Mas foi expulso.

O movimento que nasceu espontâneo e foi alimentado pela internet e ganhou uma organização invejável. No centro de Madri e em diversas cidades da Espanha, os manifestantes logo transformaram suas ações em uma iniciativa planejada.

Comitês foram formados na Puerta del Sol, repartindo funções. Uma comissão se dedica especificamente à comunicação e, para garantir acesso à internet, pediu aos vizinhos que abram suas conexões Wi-Fi.

A favor do voto

MARIANO RAJOY

LÍDER DA OPOSIÇÃO

"Numa democracia, os governos que não estão à altura são retirados com o mais importante que tem uma pessoa, seu voto"

ESPERANZA AGUIRRE

PREFEITA DE MADRID

"Democracia real é ir votar para tirar um governo que não fez o suficiente"

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