Eleições na Geórgia foram limpas, dizem observadores ocidentais

Observadores ocidentais disseram nestedomingo que a eleição presidencial da Geórgia foi amplamentelimpa. Washington fez um chamado à oposição, reunida na capitalpara protestar contra o resultado, para que mostre comedimento. Cerca de 5 mil ativistas enfrentaram a neve para protestarcontra a eleição, que eles dizem ter sido fraudada pelo lídergeorgiano Mikhail Saakashvili. Observadores da Organização para Segurança e Cooperação naEuropa (OSCE) disseram que a votação atendeu aos padrões maisdemocráticos, mas houve falhas. "A eleição na Geórgia foi em essência consistente com amaioria dos padrões internacionais para eleições democráticas,mas surgiram desafios significativos que precisam serresolvidos urgentemente" "Considerei esta eleição como uma expressão viável daliberdade de escolha do povo georgiano, mas o futuro apresentaimensos desafios", acrescentou no comunicado o mais graduadoobservador das eleições, Alcee L. Hastings. A Geórgia fica no coração do sul do Cáucaso, por onde passaum grande oleoduto que leva petróleo do Mar Cáspio para aEuropa, e onde a Rússia e os Estados Unidos disputaminfluência. A oposição disse que manterá protestos até que a votaçãoseja anulada, mas o endosso qualificado dos observadores doOcidente pode fazer com que as manifestações não ganhem força. Saakashvili antecipou as eleições para tentar reconstruirsuas credenciais democráticas, abaladas depois que ele ordenouà polícia antidistúrbios que lançasse gás lacrimogêneo edisparasse com balas de borracha contra partidários da oposiçãoque protestavam contra seu governo, em novembro. Ele chegou ao poder nessa ex-república soviética na"Revolução das Rosas", em 2003, mas seus críticos dizem quesuas reformas, elogiadas pelo Ocidente, ignoraram os pobres.Eles também o acusam de ser um autocrata que só da boca parafora respeita as liberdades democráticas. APELO POR CALMA O principal emissário norte-americano para a região, oassistente do subsecretário de Defesa, Matthew Bryza, disse quea oposição deveria respeitar o relatório dos observadoresocidentais da eleição. "Se os peritos determinam que a eleição não foi fraudada,então não há nenhuma justificativa, e seria totalmenteantidemocrático, alegar outra coisa", Bryza disse à Reuters emuma entrevista em Washington, antes da publicação do relatório. Resultados oficiais, contados os votos de 7 por cento dasseções eleitorais, mostravam uma vantagem de Saakashvili de57,6 por cento contra o seu principal rival, o empresário doramo vinícola Levan Gachechiladze, com 22,6 por cento. Pesquisas de boca-de-urna mostraram Saakashvili com mais demetade dos votos, o suficiente para evitar um segundo turno. Os oponentes de Saakashvili, que acusam esse advogado de 40anos, educado nos EUA, de má administração da economia ecorrupção, disseram que ele lhes roubou a vitória. "Apesar do terror nós ganhamos", gritou Levan Gachechiladzenum microfone durante uma manifestação em Tbilisi. "MikhailSaakashvili, você não pode derrotar o povo georgiano", disseele. Os manifestantes gritavam "Georgia, Georgia" e erguiam umdedo no ar, simbolizando o número de Gachechiladze na cédula devotação. (Reportagem adicional de Niko Mchedlishvili)

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