Eleições na Nicarágua podem marcar retorno de sandinistas

As eleições presidenciais na Nicarágua, marcadas para este domingo, podem marcar o retorno ao poder do líder revolucionário Daniel Ortega. As pesquisas de opinião colocam Ortega - que comandou o país de 1979 a 1990 - como favorito no pleito, uma vantagem que causa preocupação nos Estados Unidos. Para o governo de George W. Bush, Ortega representa a antiga esquerda da América Latina e uma figura próxima a Fidel Castro e ao presidente venezuelano Hugo Chávez, dois dos maiores adversários de Bush nos palcos da política internacional. Mas o Ortega de hoje é diferente do líder sandinista que comandou estatizações e confiscos de terras nos anos 80. Ele trocou as cores vermelho e negro da bandeira sandinista pelo rosa e pediu perdão pelo que chamou de ´erros do passado´. Quando Ortega esteve no poder, era visto como uma ameaça para a estabilidade na América Central. Na época, guerrilhas esquerdistas combatiam governos apoiados pelos EUA na Guatemala e El Salvador. Washington tentou minar o governo treinando e armando os grupos paramilitares conhecidos como os Contras. Alianças Os eleitores nicaragüenses irão escolher seu próximo presidente entre cinco candidatos que representam as diferentes forças políticas do país: o Partido Liberal Constitucionalista (PLC), a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), a Aliança Liberal Nicaragüense (ALN), a Alternativa pela Mudança (AC) e o Movimento Renovador Sandinista (MRS). Segundo as pesquisas, o favorito é Ortega, da FSLN, seguido por Eduardo Montealegre, da ALN. Mas as diferenças percentuais entre todos os candidatos não são muito grandes. De acordo com as mudanças realizadas na legislação eleitoral do país, os candidatos necessitam de 40% dos votos válidos, ou pelo menos 35% e uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado, para vencerem no primeiro turno. O líder sandinista, de 61 anos, realizou várias alianças - impensáveis no passado - com grupos que enfrentaram duramente o seu governo nos anos 80. Seu vice, o banqueiro e ex-líder dos Contra Jaime Morales, é o antigo proprietário da casa em que Ortega vive hoje com sua mulher Rosario. A casa foi confiscada pelos sandinistas quando estavam no poder. No passado, os sandinistas viviam em constante conflito com a igreja católica, mas hoje Ortega constantemente menciona sua crença em valores cristãos - ele e sua mulher se casaram na igreja depois de viverem juntos por vários anos. Recentemente, a FSLN, votou no Congresso a favor de uma proibição total do aborto no país. Vários críticos, entretanto, dizem que a transformação de Ortega e seu partido nada mais é do que oportunismo político. Sandinismo O governo da FSNL implementou reforma agrária e tentou melhorar as condições de vida dos mais pobres e promover igualdade dos sexos. O mundo dos negócios sempre suspeitou do governo, temendo que ele seguiria os passos da nacionalização promovida por Fidel Castro em Cuba. E, em um país de grande maioria católica , vários cidadãos se sentiam alienados com a tensão entre sandinistas e a igreja católica. Havia uma grande rejeição ao serviço militar obrigatório, já que vários jovens morreram na luta contra os Contras. Nas eleições presidenciais de 1990, Ortega foi inesperadamente derrotado por Violeta Chamorro, viúva de um jornalista morto pelo regime do ditador Anastacio Somoza, derrubado pelos sandinistas. Apesar de Ortega não ter obtido sucesso nas eleições de 1996 e 2001, ele nunca desistiu de tentar retornar ao poder.

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