EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Eleições na Venezuela são adiadas para 20 de maio

Presidente do Conselho Nacional Eleitoral disse que, com o acordo, se ratifica que sejam eleitos líderes com ‘as mais amplas garantias constitucionais e democráticas’

O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 14h34
Atualizado 01 Março 2018 | 21h06

CARACAS - A Justiça eleitoral da Venezuela adiou nesta quinta-feira, dia 1º, em quase um mês as eleições presidenciais, em uma medida que dividiu ainda mais a oposição e foi considerada pela maior parte dos críticos ao governo como uma manobra para legitimar a permanência do presidente Nicolás Maduro no poder. 

+ Conheça os adversários de Maduro nas eleições presidenciais de 2018

+ Maduro dança e canta ‘Despacito’ para atacar oposição venezuelana

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, disse que a votação foi adiada de 22 de abril para 20 de maio depois de selar um acordo sobre garantias eleitorais com os três partidos opositores que aceitaram participar da eleição. O principal deles, o Aliança Progressista, do ex-governador de Lara Henri Falcón, é composto por dissidentes chavistas e também rompeu com a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) ao decidir participar da votação. 

As eleições parlamentares estaduais foram marcadas para o mesmo dia. Especula-se que com um prazo maior o chavismo antecipará também a eleição legislativa, prevista apenas para 2020, como meio de extinguir antes do prazo a atual legislatura, controlada pela oposição. A MUD acusa Falcón de “fazer o jogo do governo”.

“É uma eleição feita sob medida para a vitória de Maduro, sem um adversário verdadeiramente competitivo”, disse o cientista político Luis Salamanca. “É uma montagem para fazer parecer que existe uma disputa democrática.”

+ Maduro usa três rivais para legitimar votação

O CNE prometeu que a votação será monitorada pela ONU e outros organismos internacionais e haverá tempo hábil para os venezuelanos emigrados registrarem-se para votar. A Justiça também garantiu acesso igual a tempo de TV e rádio. 

Para Felix Seijas, da pesquisadora Delphos, o objetivo do governo, que controla o CNE, com o adiamento, é esvaziar a tática da MUD de boicotar a votação. “É um acordo que dificulta a estratégia opositora”, disse. 

"Estamos em um ato de ratificação do espírito democrático (...) firmada com a oposição venezuelana que decidiu participar como corresponde em uma democracia. Não há alternativa, a única opção é o voto", afirmou o chefe da campanha de Maduro, Jorge Rodríguez, em um ato na sede do poder eleitoral. 

+ Opositor Henri Falcón enfrentará Maduro nas urnas

Partidários de dois dos principais líderes da MUD, Henrique Capriles e Leopoldo López acusaram Falcón de se venderao governo e estão estimulando os eleitores a se absterem.

“Infelizmente Falcón sucumbiu à tentação de participar e jogar o jogo da ditadura”, disse Juan Pablo Guanipa, líder do partido Primeiro Justiça de Capriles.

Enquanto isso os Estados Unidos estão cogitando impor sanções contra o governo Maduro devido ao que dizem ser condições injustas para a votação presidencial.

Contrariando o consenso da maioria dos analistas, várias pesquisas mostraram que Falcón de fato tem chance de derrotar Maduro. Segundo a consultoria privado Instituto de Análise de Dados, Falcón tem 24% dos votos contra 18% de Maduro. “ Falcón terá de mostrar que e conseguiu uma melhoria das garantias eleitorais, e preparar o terreno para convencer uma parte dos que hoje se negam a votar", estimou Seijas./AFP

 

 

 

Mais conteúdo sobre:
Venezuela [América do Sul]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.