Raúl Martínez/EFE
Raúl Martínez/EFE

Eleições no Uruguai: esquerda enfrentará centro-direita no segundo turno

Daniel Martínez, candidato da situação, deve enfrentar Luis Lacalle Pou, que vai agregar partidos conservadores que foram derrotados

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2019 | 21h21

MONTEVIDÉU - A eleição presidencial no Uruguai vai ter um segundo turno segundo turno entre o candidato da Frente Ampla, Daniel Martínez e Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional. A Corte Eleitoral Uruguaia havia divulgado a apuração de 96,03% dos votos na madrugada desta segunda-feira, 28. Martínez tem 38,57% dos votos válidos, enquanto Lacalle Pou tem 28,24%. 

O segundo turno será em 24 de novembro.

A tendência é a de que Lacalle Pou negocie uma aliança com o Partido Colorado, de Ernesto Talvi, para impedir que a esquerda conquiste um quarto mandato seguido no país vizinhoO quarto colocado na disputa, Guido Manini, que ganhou projeção com propostas mais à direita, também deve recomendar voto contra a Frente Ampla.

Estatísticos dizem que, para resistir à união das direitas no segundo turno, a Frente Ampla precisa de um patamar mínimo de 43% dos votos no primeiro turno, o chamado “número mágico”. Martínez, que enfrentou uma longa fila para votar, disse a jornalistas que aguarda os resultados com uma “expectativa serena”, e que havia conversado com Alberto Fernández, candidato favorito nas eleições argentinas, e com o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez.

Já Lacalle Pou, que votou em Canelones, informou que sua campanha para o segundo turno começará amanhã mesmo, porque não há tempo a perder. Em um contexto regional agitado, com protestos no Chile em demanda de melhorias econômicas e eleições questionadas por observadores internacionais na Bolívia, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, destacou a solidez institucional de seu país.

“Os uruguaios têm grande adesão ao sistema democrático”, declarou Vázquez (Frente Ampla), que encerra seu mandato em 1.º de março. Antes de votar, também falou sobre o câncer de pulmão que está tratando. “Tenho esperança e desejo entregar a faixa presidencial ao meu sucessor”, disse, ao deixar sua residência.

Além de eleger presidente e Parlamento, os uruguaios decidirão sobre uma reforma constitucional que promove a criação de uma guarda nacional, que levaria 2 mil militares para patrulhar as ruas em ações de segurança, entre outros temas.

Segundo os números iniciais, 46% dos eleitores votaram a favor da proposta, que na última semana foi rechaçada em grandes atos de rua na capital uruguaia, Montevidéu.

Outrora considerado um oásis de paz em uma região turbulenta, o Uruguai viu suas estatísticas de segurança se degradarem nos últimos anos. Por isso, o tema dominou também a disputa presidencial. O país registrou em recorde no número de homicídios em 2018. Foram 414 crimes, uma alta de 45% em relação a 2017.

A reforma de segurança promove a criação de uma guarda nacional com militares em funções policiais; o estabelecimento da pena de prisão perpétua que pode ser revisada para 30 anos por crimes graves; sentenças de prisão mais duras para homicídios e estupros; e autorização de buscas noturnas em domicílios por ordem judicial em caso de suspeita de feitos ilícitos./ AFP e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.