Eleições no Zimbábue terminam em meio a denúncias

'Eleição é ato de ditadura desesperada', diz Tsvangirai; presidente Mugabe é candidato único na votação

Agências internacionais,

27 de junho de 2008 | 11h18

Após 12 horas de votação, as urnas do segundo turno da eleição presidencial do Zimbábue, que ocorreu nesta sexta-feira, 27, foram fechadas. O presidente do país, Robert Mugabe, concorreu sozinho. Os primeiros indicadores mostram que a participação dos eleitores foi menor que no primeiro turno, em 29 de março, vencido pela oposição.  Veja também:Termina segundo turno das eleições no ZimbábueUnião Africana diz que pode resolver crise no ZimbábueAmizade de Mugabe e Mbeki explica falta de ação sul-africana2.º turno começa com baixa participação no ZimbábuePaís deve ser para África do Sul o que o Tibete é para a China  Leia artigo de Morgan Tsvangirai Tsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, afirmou nesta sexta-feira, 27, que os eleitores foram forçados a votar, mas que milhares se negaram a participar do pleito em que o presidente Robert Mugabe é candidato único. O rival de Mugabe disse ainda que o segundo turno presidencial realizado no país é ato de uma ditadura desesperada em busca de legitimidade.  Forças paramilitares e grupos de partidários do governo patrulhavam a capital do Zimbábue, Harare, enquanto agentes conduziam os eleitores até as urnas para a realização do pleito. Tsvangirai está boicotando a votação por causa da violência e intimidação sofridas pelos seus partidários. Seu nome permanece, entretanto, na cédula eleitoral. Em algumas áreas da capital, Harare, gangues de jovens leais a Mugabe foram de porta em porta para forçaram os eleitores a votarem.  O opositor afirmou ainda que o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, planeja reconhecer a reeleição de Mugabe, que está no poder do Zimbábue desde 1980. "O presidente Mbeki planeja reconhecer Mugabe após esta eleição. Reconhecer Mugabe e esperar que a oposição faça parte de um governo de unidade nacional é um sonho. A eleição foi levada adiante apesar de pressão internacional para seu adiamento. Ministros do Exterior do G8, reunidos no Japão, disseram que não podem aceitar a legitimidade de um governo no Zimbábue "que não reflita a vontade do povo zimbabuano". Segundo o G8, violência, obstrução e intimidação tornaram uma eleição livre e justa no país impossível. Os Estados Unidos e a Alemanha disseram que o Conselho de Segurança das Nações Unidas vai considerar a possibilidade de sanções contra o Zimbábue quando se reunir na próxima semana.  A Comissão Européia disse que o segundo turno das eleições presidenciais do Zimbábue é uma "fraude" e que não reconhecerá os resultados como legítimos. "A Comissão Européia, assim como a ONU, não considera essa eleição legítima ou válida", disse Krisztina Nagy, porta-voz do Executivo da UE  Em uma cúpula na semana passada, líderes da União Européia ameaçaram o Zimbábue com mais sanções, depois da violência que marcou as vésperas das eleições. As sanções da UE já existentes incluem um embargo de armas, proibição de vistos e o congelamento de ativos de mais de 100 autoridades, incluindo Mugabe. Matéria atualizada às 17h

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