Jeff J Mitchell/Pool/AFP
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Eleições parlamentares na Escócia reacendem debate sobre separação do Reino Unido

Em 2014, 55% dos escoceses optaram por permanecer no país; defensores de um novo referendo consideram, porém, que o Brexit mudou o cenário

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2021 | 20h00

EDIMBURGO - Os escoceses renovarão seu Parlamento local nesta quinta-feira, 6, em uma eleição que pode decidir o futuro da independência do país em relação ao Reino Unido. 

O partido da primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, busca em um novo mandato a legitimidade para pressionar por um novo referendo de independência.  De acordo com Sturgeon, líder do SNP (Partido Nacional Escocês), uma maioria pró-independência no Parlamento local, que tem 129 cadeiras, privaria o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, de qualquer "justificativa democrática, eleitoral ou moral" para se opor ao referendo.

Johnson argumenta que essa é uma consulta que pode ser feita apenas "uma vez a cada geração". Em 2014, 55% dos escoceses votaram a favor da permanência da Escócia no Reino Unido. Os defensores de um novo referendo consideram, porém, que o Brexit, ao qual 62% dos escoceses se opuseram, mudou o cenário, especialmente para os setores da pesca e da agricultura, muito afetados pela saída da União Europeia (UE).

O SNP defende que a independência tornaria a Escócia uma "nação mais justa e próspera", que eventualmente aspiraria a se juntar à União Europeia. Os opositores da independência temem que a decisão prejudique a recuperação econômica pós-pandemia. Para o chefe dos conservadores escoceses, Douglas Ross, um novo referendo seria uma "distração". 

A questão divide os escoceses. O trabalhista Anas Sarwar, um dentista de 37 anos, afirma que a Escócia precisa de formuladores de políticas "que queiram unificar" o Reino Unido, e "não dividi-lo". David Collin, um profissional da área de relações públicas de 42 anos, apoia a independência "em princípio". "Mas não sei se este é o momento certo, especialmente com a pandemia", afirma. 

Depois de uma série de pesquisas que nos últimos meses deram maioria à independência, a tendência parece estar se invertendo. De acordo com uma sondagem realizada pelo Savante ComRes esta semana, 49% dos escoceses votariam "não" em um referendo imediato, contra 42% que votariam "sim".

Restrições da pandemia forçaram os partidos a levar suas campanhas para a internet. "É uma situação muito estranha - é uma votação importante, mas o público não está muito motivado", diz Christopher Carman, professor de cidadania na Universidade de Glasgow.

Consequências

A Escócia tem um déficit público maior do que o Reino Unido como um todo, então, em caso de independência, deverá cortar despesas, ou aumentar impostos, além de reorientar seu comércio, afirma David Bell, professor de economia da Universidade de Stirling.

Em caso de reintegração à UE, surgem algumas dúvidas sobre a moeda que seria usada na Escócia, o funcionamento de seu Banco Central e suas fronteiras, acrescenta.

Mas a Escócia "poderia se sair bem", diz ele, graças às energias renováveis e como um centro financeiro de língua inglesa. /AFP

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