Eleições podem alertar socialistas e gaullistas

Alguns dos mais importantes ministros do governo do primeiro-ministro francês Lionel Jospin encontram-se numa posição muito delicada nestas eleições municipais - entre eles a ministra do Trabalho e Solidariedade, Elisabeth Guigou, em Avignon, e Jack Lang, ministro da Educação, em Blois. Outros ministros foram derrotados logo no primeiro turno e isso está soando como uma advertência a Jospin, candidato às eleições presidenciais em 2002. O resultado do primeiro turno do pleito municipal na França revela, entre outras coisas, a necessidade de um reequilíbrio entre as forças da chamada maioria pluralista que leve em conta o crescimento dos verdes no país e o novo declínio dos comunistas. A nova perda de votos sofrida pelo Partido Comunista Francês (PCF) favoreceu a extrema esquerda, a Liga Revolucionária, de Alain Krivine, e a Luta Operária, de Arlette Laguiller. Os socialistas são acusados pela chamada esquerda crítica de um certo aburguesamento no poder. No conjunto do país, a chamada "França profunda" (direita), resistiu melhor do que esperavam os observadores, que lembram uma célebre afirmação do ex-presidente socialista François Mitterrand: "A esquerda só é majoritária na França em situações extraordinárias." Por outro lado, a perda de Paris pela direita, caso se confirme, constituirá um rude golpe para o presidente Jacques Chirac, candidato à reeleição. A capital sempre foi o seu grande feudo. Ele administrou a cidade de 1977 até sua eleição presidencial em 1995, colocando no seu lugar o assessor mais próximo, o atual prefeito Jean Tiberi. Essa seria a segunda grande derrota política do presidente Chirac. A primeira foi conseqüência de seu erro político de dissolver a Assembléia Nacional em 1997, onde mantinha uma confortável maioria - o que permitiu a vitória dos socialistas que governam o país desde aquela época. Para monopolizar o poder na França - depois de uma eventual conquista da prefeitura de Paris - só faltará aos socialistas a presidência da República, que pode ser conquistada dentro de um ano. Por isso, a perda de Paris poderá, já a partir de segunda-feira, provocar a explosão da principal componente da direita francesa, o partido gaullista (RPR). Isso vai forçar, certamente, uma reconstrução política do grupo em novas bases que lhe permitirá disputar as eleições presidenciais e legislativas em melhores condições. Um novo partido político poderá nascer muito rapidamente na França e numerosos são os políticos conservadores já empenhados na preparação dessa agremiação. Encerradas as eleições municipais, a campanha presidencial estará nas ruas e os choques entre os dois candidatos - o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e o presidente Jacques Chirac - serão bem mais freqüentes, acelerando o processo de uma inevitável ruptura do chamado regime de coabitação.

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