Eleições presidenciais na Nigéria são marcadas por tensão

O presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente da Nigéria (CENI), Maurice Iwu, elogiou neste sábado, 21, a evolução das eleições presidenciais e legislativas realizadas no país mais populoso da África. "Quero dar os parabéns a todos os nigerianos por mostrarem seu apoio e seu compromisso com a democracia", disse Iwu em entrevista coletiva na capital nigeriana, Abuja."Devemos olhar as coisas de forma global e não perder a perspectiva do que alcançamos", disse. "Pode ser que tenham ocorrido complicações em alguns pontos, mas, no geral, as eleições transcorreram bem", declarou Iwu.Em um ambiente de tensão, desorganização e temores de manipulação eleitoral, a Nigéria, que, com seus 140 milhões de habitantes, é o país mais populoso da África, foi às urnas no terceiro pleito consecutivo de sua história, marcado pela mão-de-ferro dos Governos militares desde a independência, em 1960.Avaliação negativaQuatro horas após o início da eleição, o chefe da missão de observação eleitoral da União Européia, Max van den Berg, disse que sua avaliação provisória era "claramente negativa" e que estava "muito preocupado" com o modo como a votação transcorreu.Em declarações na cidade de Kaduna, na região central do país, Van den Berg acrescentou que o processo eleitoral está "muito confuso". O alto funcionário também considerou preocupante o fato de as cédulas para a eleição presidencial terem todas o mesmo número de série, composto por vários zeros.Segundo Van den Berg, a medida dificultaria o acompanhamento da apuração e facilitaria a fraude, já que caso as urnas com votos reais sejam substituídas por outras com outras cédulas, seria impossível distinguir umas das outras sem uma numeração em série.Iwu alegou que a CENI se viu forçada a não incluir os números de série quando teve de mandar reimprimir, a três dias da votação, 65 milhões de cédulas presidenciais depois que a Corte Suprema ordenou que a entidade incluísse o nome de um candidato cuja participação estava proibida."Em três dias imprimimos, transportamos e distribuímos por todo o país 65 milhões de cédulas. Foi um milagre", disse Iwu, que destacou que qualquer gráfica teria demorado muitos mais dias na impressão. No entanto, a preocupação sobre a ausência dos números de série fez com que, em cidades como Kaduna, onde a votação começou com mais de quatro horas de atraso, os agentes dos partidos paralisassem a eleição presidencial e parlamentar.AtrasosEm um centro visitado no sul da cidade no qual 17.500 pessoas deveriam votar, a votação estava parada e os agentes da CENI esperavam instruções de seus superiores. "Estes votos não têm número de série", disse um agente de um partido opositor."Suspeitamos que ´o grande homem´ quer arranjar um meio para se dar bem com as eleições", acrescentou em referência ao presidente do país, Olusegun Obasanjo. 61 milhões convocadosOs cerca de 61 milhões de nigerianos registrados no censo foram convocados a votar nos 120 mil centros eleitorais espalhados por todo o país.O presidente da CENI informou que a votação transcorreu bem em muitas partes do norte e do oeste do país. Além disso, destacou atrasos no sudeste e ressaltou que, de maneira geral, nas zonas urbanas, as eleições começaram a tempo, enquanto nas áreas rurais foram registrados atrasos.A Nigéria tem a 10ª maior reserva de petróleo do planeta e é o oitavo exportador mundial, mas, com 70% de sua população vivendo na pobreza, segundo a ONU, e a crescente violência entre etnias e as religiões, sobretudo nas regiões petrolíferas, sua estabilidade é ameaçada a todo o tempo.

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