Eleições regionais na Alemanha fortalecem coalizão de Merkel

Os resultados das eleições regionais do último domingo na Alemanha fortalecem a grande coalizão da chanceler alemã, Angela Merkel, pois aumentam sua maioria no Bundesrat (câmara alta do Parlamento), onde os governos regionais estão representados. "Não se tornou realidade o temor de que, com a grande coalizão, houvesse o fortalecimento dos radicalismos e se observasse que os dois grandes partidos estão em condições de obter bons resultados", disse Merkel. Para a chanceler, o apoio obtido nas eleições por seu partido, em Baden-Württemberg e na Saxônia-Anhalt, e por seu parceiro de coalizão, o Partido Social-Democrata (SPD), na Renânia-Palatinado, são um sinal para manter a agenda do governo federal. "Temos que seguir adiante com a reforma da saúde, o desmonte da burocracia e os avanços em política de família, para citar apenas alguns grandes temas", disse Merkel. O aumento da maioria se deve aos resultados na Renânia-Palatinado, onde o primeiro-ministro social-democrata Kurt Beck teve maioria absoluta e pode prescindir do Partido Liberal (FDP), que até agora era seu parceiro coligado, e na Saxônia-Anhalt, onde deverá haver a formação de uma nova grande coalizão. Neste último estado, a CDU governava até agora em coalizão com o FDP. Com os resultados, o primeiro-ministro Wolfgang Boehmer precisará fazer uma aliança com o SPD, e este já anunciou nesta segunda-feira que iniciará conversas. Com a saída do FDP dos dois governos regionais, os dois estados federados não precisarão mais se abster nas votações do Bundesrat e poderão apoiar os projetos de reforma da grande coalizão de Angela Merkel. Em Baden-Württemberg, a CDU continuará governando em coalizão com o FDP, mas o primeiro-ministro Günther Oettinger saiu fortalecido com os resultados e ficou próximo da maioria absoluta. Políticos dos dois grandes partidos, a CDU e o SPD, interpretaram os resultados das eleições como um "voto de confiança para a grande coalizão em nível federal". Os resultados de cada estado federado foram avaliados de forma diferente pelos partidos. Merkel, que também é presidente da CDU, reconheceu que o resultado na Renânia-Palatinado decepcionou. Seu partido obteve 32% dos votos - em seu pior resultado na história - e precipitou a renúncia do líder regional Christoph Boehr. Já os resultados dos dois outros estados federados deixaram Merkel satisfeita, porque indicaram que a CDU tem condições de garantir maiorias tanto no leste, como na Saxônia-Anhalt, como no oeste, como se viu em Baden-Württemberg. O presidente do SPD, Mathias Platzeck, concordou com Merkel ao comemorar o fato de os radicalismos não terem obtido espaço. Ele ressaltou que, apesar da campanha agressiva na Saxônia-Anhalt, o ultradireitista União do Povo Alemão (DVU) ficou de fora do Parlamento regional. Platzeck lamentou o resultado de Baden-Württemberg, onde seu partido não passou de 25%, mas elogiou as conquistas nos outros dois estados. O SPD teve maioria absoluta na Renânia-Palatinado. Com relação à Saxônia-Anhalt, embora seu partido tenha ficado em terceiro lugar, superado pelo pós-comunista Partido de Esquerda, Platzeck considera que a meta eleitoral, que seria fazer parte do Governo, foi cumprida. "Nosso objetivo era acabar com a coalizão da CDU e do FDP e fazer parte do governo, e isso foi possível", disse Platzeck.

Agencia Estado,

27 Março 2006 | 12h19

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