Eleições regionais provarão governo Berlusconi

O primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, passará uma prova chave para seu governo com as eleições locais que se celebrarão na Itália no próximo domingo para renovar os representantes municipais e regionais em 12 províncias, entre elas Roma e cerca de 500 municípios de toda a península. A Itália se prepara para aplicar uma drástica reforma federal para descentralizar os poderes até agora nas mãos de Roma e conceder maior autonomia as províncias, regiões e municípios. Na disputa por esse poder, os comícios de domingo geraram uma campanha eleitoral tão dura que o presidente da República, Carlo Azeglio Ciampi e os presidentes das Câmaras intervieram pedindo para de moderar o tom da polêmicas. A campanha nas administrações locais tocou temas como o da insegurança e da imigração, dois cavalos de batalha dos partidos da coligação conservadora no poder, liderada por Berlusconi. Porém por trás destes argumentos utilizados com diferentes pontos de vista pelas coalizões adversárias se livrou uma duríssima batalha nacional sobre o tema da justiça e o curso da economia, ambos determinantes para Berlusconi no início de seu governo. A Liga Norte, que recolhe o rico eleitorado do norte, decidiu se apresentar com listas próprias, uma forma de demonstrar o peso do movimento dentro da coalizão no poder que está representada por três ministros. Liderada por Umberto Bossi, a Liga Norte é o partido que mais lutou a favor de uma reforma federal que sobre tudo tirou de Roma o privilegio de arrecadar os impostos locais. Os "liguistas" sustentam que o estado italiano se mantém com o que se arrecada nesta rica região da Itália, acusam Roma de "ladra" e as regiões do Sul de viver nas costas do Norte. A divisão do voto de centro-direita beneficiará por uma parte a coalizão opositora do Olivo que, sobretudo nos comícios municipais, perderá muitos votos a favor dos ex-democratas cristãos. No caso de nenhum candidato alcançar mais de 50% dos votos, se voltará a votar duas semanas mais tarde e a Liga anunciou que pedirá neste caso a seus eleitores que votem no segundo turno para a lista da coalizão. Por sua vez, os partidos da coalizão opositora Olivo poderão contar em numerosas circunscrições com o voto da Refundação Comunista, partido que não faz parte da aliança centro-esquerda.

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