Eleito em Honduras buscará reconhecimento no exterior

O candidato conservador Porfirio Lobo trabalhará para validar sua vitória nas eleições presidenciais hondurenhas no exterior e nacionalmente. Lobo prometeu levar de volta ao país - em crise desde o golpe de 28 de junho, que derrubou o presidente de Honduras Manuel Zelaya -, o necessário investimento internacional, além de formar um governo de união nacional. "Não há tempo para divisões", disse Lobo, ainda na noite de ontem. Apelidado de "Pepe", será do conservador de 61 anos a missão de tentar encerrar a crise. Seu rival Elvin Santos admitiu a derrota.

AE, Agencia Estado

30 Novembro 2009 | 09h29

Os Estados Unidos rapidamente mostraram apoio às eleições. O porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, qualificou a disputa como "um necessário e importante passo adiante". Peru, Panamá e Costa Rica já disseram que pretendem apoiar a disputa. Já o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem, em Estoril, que o País não reconhecerá o presidente eleito. Segundo Lula, trata-se de "firmar posição contra um processo eleitoral coordenado por golpistas".

Em Genebra, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que avaliará a partir de agora se fecha a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa ou se manterá a representação em um nível mais baixo. Segundo ele, não será enviado um embaixador ao país para representar o Brasil diante do governo eleito. Além do Brasil, Argentina e Venezuela não pretendem reconhecer as eleições. Outras nações, como França, Colômbia, Polônia e Japão já deram sinais de que devem reconhecer a disputa.

Com mais de 60% dos votos apurados, Lobo, do Partido Nacional, liderava com 55,9% dos votos. Santos, que tinha 38% dos votos, admitiu a derrota. Santos é do Partido Liberal, o mesmo de Zelaya e do presidente de facto, Roberto Micheletti. Zelaya pediu que o processo fosse boicotado. Em entrevista feita hoje à local Rádio Globo, ele acusou os funcionários eleitorais de inflarem o comparecimento às urnas.

O comparecimento às urnas foi de 61,3% dos 4,3 milhões de hondurenhos aptos a votar, segundo funcionários eleitorais. O analista Kevin Casas-Zamora, do Brookings Institution, afirmou que, com o tempo, mais países devem reconhecer as eleições. Segundo ele, como o comparecimento foi superior a 50% e não houve evidências de fraude, esse processo de reconhecimento deve se ampliar.

Protestos

Em San Pedro Sula, centenas de partidários do líder deposto fizeram ontem uma manifestação, encerrada pela polícia com gás lacrimogêneo e jatos d''água. Jornalistas e ativistas disseram que dezenas de pessoas foram agredidas e presas. Grupos de direitos humanos condenaram o ambiente de intimidação e medo antes das eleições. Também condenaram a perseguição dos militares aos dissidentes, após o golpe. Dezenas de observadores independentes monitoraram a votação, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) se negaram a fazê-lo.

O Congresso deve decidir na quarta-feira sobre o retorno ou não de Zelaya ao poder por um breve período até o novo presidente assumir, em 27 de janeiro. No entanto, o próprio Zelaya diz que não pretende retornar ao cargo, pois isso, na opinião dele, legitimaria o golpe. As informações são da Dow Jones.

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