Eleito herda ''pepino muito grande'', diz Lula

Segundo presidente, maior sinal de mudança dos EUA na região será o fim do bloqueio a Cuba

Vera Rosa e Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Um pacote de emergência para enfrentar a crise financeira e o fim do bloqueio econômico a Cuba são as primeiras providências que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera do colega americano, Barack Obama, logo após a posse, na terça-feira. Para Lula, Obama herdou um "pepino muito grande" e ainda terá um ano de capital político para queimar depois que assumir a presidência. Em todas as conversas sobre a crise, Lula não se cansa de repetir que agora Obama terá de agir rápido para evitar uma convulsão social. "Por enquanto, a crise é debitada na conta do Bush. Mas depois será na do Obama", disse. Na avaliação do Planalto, o presidente eleito dos EUA já poderia estar liderando o processo de reativação da economia mesmo antes da posse. Lula ficou animado com declarações da futura secretária de Estado americana, Hillary Clinton, indicando que Obama espera trabalhar com o Brasil em "uma nova parceria energética das Américas". O governo brasileiro acha que os EUA têm "jogado na retranca" em relação à questão ambiental, mas ele considera positivos os sinais emitidos por Hillary. O plano de Lula é fazer os EUA trocarem os bilhões de dólares gastos em subsídio à produção doméstica de etanol de milho pelo etanol de cana-de-açúcar comprado do Brasil.Aos amigos mais próximos, Lula tem dito que acredita na sinceridade de Obama de romper com o unilateralismo e em sua disposição de dialogar até com seus inimigos. O presidente brasileiro argumenta, no entanto, que o maior sinal de mudança dos EUA em relação à América Latina será a suspensão do bloqueio econômico imposto a Cuba. "Não existe mais nenhuma explicação política, sociológica e nenhum analista do mundo ou psicólogo entenderia por que ainda há um bloqueio a Cuba. Será que é vingança?", indagou. Na visão de Lula, Obama não pode olhar para a América Latina como se o continente abrigasse um grupo de esquerdistas e revolucionários que recebem orientação dos irmãos Castro. "Já não existe mais isso na América Latina."

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