REUTERS/Kim Kyunghoon
REUTERS/Kim Kyunghoon

Eleito na Coreia do Sul prega diálogo com Pyongyang

Posição do liberal Moon Jae-in é distinta dos dois últimos antecessores, que defendiam uso de sanções, e pode causar uma disputa com os EUA

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2017 | 05h00

A Coreia do Sul elegeu ontem como presidente Moon Jae-in, veterano da luta pelos direitos humanos e favorável a uma aproximação com a Coreia do Norte, devolvendo o poder à centro-esquerda após quase uma década de governo conservador. A vitória de Moon significa uma nova abordagem com relação a Pyongyang e aos EUA.

O resultado significa o retorno do poder para os liberais depois de quase uma década distantes do governo e uma potencial disputa com os Estados Unidos sobre o programa nuclear do vizinho do Norte. Segundo a Comissão Nacional Eleitoral, Moon, candidato do Partido Democrático, obteve 40,2% dos votos. O conservador Hong Joon-pyo ficou em segundo lugar, com 25,2% dos votos. Moon afirmou que trabalhará com seus rivais políticos para criar um país “onde a justiça e o senso comum prevaleçam”.

A eleição marca o fim de um drama nacional em que escândalos de corrupção e protestos culminaram na deposição da presidente por impeachment, deixando o establishment conservador em frangalhos e sua líder, na prisão.

Moon, de 64 anos, deve encarar o desafio de promover mudanças para limitar o poder dos grandes conglomerados empresariais e sanar abusos que foram expostos durante o processo de impeachment de sua antecessora, Park Geun-hye. Além de procurar equilibrar as relações com EUA e China, Moon tentará cumprir sua promessa de uma nova aproximação com a Coreia do Norte.

A vitória de Moon deve tumultuar a geopolítica envolvendo o impasse do arsenal nuclear norte-coreano. Mesmo pedindo ao mundo que exerça mais pressão sobre Pyongyang, o governo Trump depara-se com a perspectiva de um aliado crucial – com muito mais em jogo no caso de um conflito com o Norte – discordar da sua política e adotar um tom mais conciliador.

Moon afirmou que a confiança de Washington nas sanções e na “pressão máxima” contra o Norte não deu resultado e está na hora de dar uma chance ao compromisso e ao diálogo, enfoque defendido pela China. Também pediu uma revisão do acordo de instalação do sistema antimísseis americano na Coreia do Sul, criticado por Pequim.

A posição de Moon com relação à Coreia do Norte é completamente distinta da adotada pelos seus dois últimos predecessores, conservadores que privilegiavam a aplicação estrita de sanções contra o Norte.

David Straub, ex-diretor de assuntos coreanos no Departamento de Estado e membro do Sejong Institute, grupo de estudos em Seul, alerta para “as graves diferenças políticas entre os EUA e os presidentes sul-coreanos” com relação à Coreia do Norte. Segundo ele, essas divergências podem causar “uma insatisfação com os EUA entre os sul-coreanos cada vez mais intensa”. A China, por sua vez, deve receber bem a eleição de Moon. / NYT

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