Eleitor está sendo intimidado, acusa oposição na Etiópia

O Medrek, maior bloco da oposição na Etiópia, disse ter evidências de intimidação dos eleitores e de fraude que podem levá-lo a contestar os resultados das eleições no país - o terceiro mais populoso da África. A votação está sendo monitorada atentamente por observadores internacionais, em meio a afirmações de que o partido da situação, aliado dos EUA, estaria assediando os eleitores.

AE-AP, Agência Estado

23 Maio 2010 | 11h37

Segundo os membros da oposição, a eleição provavelmente levará a mais uma década de poder para o primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi - que tomou o controle do país por meio de um golpe em 1991 -, e pode ter um desfecho semelhante ao da eleição de 2005. Há cinco anos, cerca de 100 políticos e simpatizantes da oposição foram presos por questionarem os resultados. Também naquele período, 193 manifestantes foram mortos pela polícia em protestos após a contagem dos votos.

Hailu Shawel, um dos candidatos oposicionistas, disse que observadores foram impedidos de trabalhar em diferentes partes do país.

O porta-voz do governo, Bereket Simon, disse não ter notícia de irregularidades ou problemas na eleição e, quando informado sobre as queixas da oposição, afirmou: "isso é simplesmente, simplesmente uma mentira orquestrada". "Se eles rejeitarem o resultado antes mesmo de ele ser declarado, significa que sabem como foram aceitos. Sabem que perderam", acrescentou.

A Frente Democrática e Revolucionária do Povo da Etiópia, partido de Meles Zenawi, negou a repressão sobre os oponentes e disse que os candidatos puderam fazer campanha livremente. A oposição, por sua vez, diz que o governo sufocou sistematicamente a competição desde 2005 e garantiu uma eleição tranquila por meio de leis que restringem o trabalho de grupos de direitos humanos e da imprensa.

A Etiópia é frequentemente criticada por conta do desrespeito aos direitos humanos. O Departamento de Estado dos EUA citou num relatório em março que há notícias de "mortes, tortura, espancamento, abuso e maus tratos a presos e membros da oposição por parte das forças de segurança, que em geral agem com evidente impunidade". Apesar disso, os norte-americanos consideram a Etiópia um aliado.

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