Eleitores demonstram insatisfação com partidos

Britânicos reclamam que conservadores e trabalhistas estão cada vez mais parecidos e pedem reforma eleitoral

LONDRES , O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2015 | 02h02

Os últimos dias da campanha na Grã-Bretanha foram marcados pela empolgação dos analistas e o esforço até o último minuto dos candidatos. Mas, nas ruas, a eleição pareceu outra. Eleitores votaram sem grande ânimo e muitos reclamavam dos políticos. "Não espero muito dessa eleição. Só estou aqui porque não quero que o Ukip ganhe espaço", disse o estudante Max Wallat, que estreou nas eleições após um dia inteiro de aula em Wimbledon, sul de Londres.

O Partido da Independência do Reino Unido (Ukip) tem como principal bandeira o aperto das políticas migratórias e a saída da União Europeia. Max não concorda e votou no Partido Verde. "Não quero que um racista represente meu bairro."

Ben Harling é gerente de um hotel no centro de Londres e votou no Partido Conservador. Portanto, quer a reeleição de David Cameron. Mesmo assim, fez ressalvas. "A economia está melhor e, por isso, ele merece continuar. Mas o governo não lidou bem com algumas coisas bem como os impostos. Os ricos deveriam pagar mais", reclamou, ao usar um lema citado pelo líder trabalhista, Ed Miliband.

Eleitores reclamam que os dois principais partidos estão cada vez mais parecidos e, ao mesmo tempo, os candidatos despertam menos a confiança do cidadão comum. Outro problema é que a composição do Parlamento não necessariamente representa a vontade popular.

O Ukip criticado pelo jovem Max, por exemplo, deve conquistar até 15% dos votos, indicam pesquisas. Mas o partido deve ter no máximo duas ou três cadeiras no Parlamento britânico. Isso ocorre porque o sistema britânico é distrital e apenas o mais votado em cada uma das 650 áreas eleitorais é eleito. / F.N.

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