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Eleitores devem consagrar hoje Putin e o sonho da 'Grande Rússia'

Sucessão controlada. Mesmo a oposição russa, pulverizada em grupos rivais, duvida que o homem forte de Moscou na última década não consiga vencer no primeiro turno; Kremlin mobiliza milhares de policiais, mas manifestantes preparam-se para ir às ruas

TALITA EREDIA, ENVIADA ESPECIAL / MOSCOU, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2012 | 03h03

O último ato do teatro iniciado por Vladimir Putin e Dmitri Medvedev em 2007 será concluído hoje. O ex-presidente e atual primeiro-ministro deve vencer as eleições presidenciais e voltar para o seu terceiro mandato no Kremlin. A vitória de Putin é dada como certa até mesmo por seus rivais.

Analistas apostam que o premiê não correrá o risco de disputar um segundo turno - algo que poderia prejudicar ainda mais a sua imagem, já danificada por três meses de protestos nas ruas. Para ser consagrado na primeira etapa, Putin precisa receber mais de 50% dos votos.

Cerca de 6 mil policiais foram realocados de todo o país para fazer a segurança da capital. Nas ruas de Moscou, há propagandas de Putin por todo lado. Permancem expostos pouquíssimos anúncios do candidato do Partido Comunista, Gennadi Zyuganov, o segundo colocado, com entre 15% e 20% nas pesquisas. O nacionalista Vladimir Jirinovski, o milionário independente Mikhail Prokhorov e o social-democrata Sergei Mironov não têm nem 10% das intenções de voto.

Os cidadãos comuns desconversam quando o assunto é a eleição ou o futuro presidente. O voto não é obrigatório e os dois lados da disputa incentivam o comparecimento hoje: enquanto a mídia e os serviços públicos pedem a presença do eleitorado, os críticos do governo ressaltam que é uma chance de mostrar o descontentamento com o atual sistema, mesmo que a eleição seja fraudada. A prefeitura tenta conter manifestações, mas autorizou um pequeno protesto de 10 mil pessoas amanhã, independentemente do resultado da votação.

Observadores voluntários foram treinados por organizações independentes e opositoras para acompanhar a eleição e colher provas de eventuais fraudes. Durante a semana, o governo chegou a acusar voluntários de criar provas falsas que seriam apresentadas após a votação.

Máquina pública. "Há sinais claros de que o Kremlin decidiu garantir a vitória de Putin no primeiro turno. O governo está bastante preocupado com as imprevisíveis consequências dessas eleições. Putin não está preparado para debater com seus rivais ou com a sociedade", diz a analista Lilia Shevtsova.

Para ela, Putin só tem a perder com um segundo turno. "Ele nunca foi um político completo, nunca precisou ser, sempre contou com a segurança e o apoio do Kremlin. Mas teme que um fracasso no primeiro turno dê a impressão de que ele está abatido pelos protestos, vulnerável. É claro que não podemos excluir um segundo turno, mas as probabilidades de isso acontecer são de menos de 5%."

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