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Eleitores ''fantasmas'' votam no Zimbábue

Supostos 8 mil votantes estariam em área desértica, dizem observadores

Afp, Efe e Reuters, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

Um grupo de observadores internacionais africanos denunciou a existência de 8,5 mil eleitores fantasmas registrados para votar nas eleições de ontem do Zimbábue, consideradas cruciais para o futuro do presidente Robert Mugabe. Marwick Khumalo, líder da missão de observadores do Parlamento Pan-Africano, relatou que, de uma lista com 24.678 nomes de um distrito eleitoral da capital Harare, "8,5 mil foram registrados em uma área deserta que tem apenas algumas barracas de madeira".O principal partido opositor do país, Movimento pela Mudança Democrática (MDC), também apontou irregularidades nas eleições, e prometeu divulgar hoje seus próprios resultados da votação, desafiando uma ordem do governo - resultados preliminares oficiais estão previstos entre hoje e amanhã.No poder desde 1980, Mugabe negou as acusações de que tentaria manipular o resultado das eleições para conseguir um sexto mandato. O presidente afirmou que, mesmo tendo certeza de que vai vencer, estaria pronto para aceitar uma derrota. "Nós não manipulamos eleições. Não poderia dormir com minha consciência tranqüila se tivesse fraudado o processo", afirmou. "Por que deveria trapacear? O povo está nos apoiando. Quando não o fizer mais, aí é a hora de desistir da política."Mugabe está concorrendo contra Morgan Tsvangirai, do MDC, e Simba Makoni, ex-ministro das Finanças que concorre como independente. Se nenhum dos candidatos conseguir 51% dos votos, a eleição terá segundo turno. No entanto, Mugabe descartou a idéia de uma segunda votação. "Não estamos acostumados com lutas nas quais vamos do primeiro round para o segundo. Aqui nós nocauteamos uns aos outros", afirmou. Críticos do governo afirmam que o presidente fará de tudo para evitar um segundo turno.A votação de ontem registrou lentidão na hora de depositar o voto, pois pela primeira vez o Zimbábue realizou simultaneamente eleições presidenciais, legislativas e municipais. Cerca de 6 milhões de eleitores estavam registrados para votar, e o Exército estava em alerta para evitar manifestações de violência.Ontem, a casa de um candidato do partido governista ao Parlamento foi bombardeada. A polícia afirmou que ninguém ficou ferido no ataque, que aconteceu em Bulawayo, segunda maior cidade do país.

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