Eleitores foram forçados a ir às urnas, diz Tsvangirai

O líder da oposição no Zimbábue, MorganTsvangirai, acusou o presidente Robert Mugabe de forçar oseleitores do país a votar nesta sexta-feira, numa eleição naqual Mugabe é o único candidato. No poder há 28 anos, Mugabe realizou a votação apesar deuma onda de condenação internacional depois que Tsvangirai seretirou da disputa em consequência da violência, apoiada pelogoverno, contra seus partidários. Refugiado há seis dias na embaixada da Holanda em Harare,Tsvangirai disse em uma coletiva de imprensa que milhões depessoas não foram às urnas, apesar da intimidação. Ele retornouà embaixada depois de falar com os jornalistas. "O que acontece hoje não é uma eleição. É um exercício deintimidação em massa, pessoas de todas as partes do país estãosendo forçadas a votar", disse Tsvangirai. A oposição diz que cerca de 90 de seus partidários forammortos. O comparecimento foi baixo em áreas urbanas onde oMovimento pela Mudança Democrática, o partido de Tsvangirai, étradicionalmente forte. Mas não ficou claro qual foi aparticipação dos eleitores nos distritos rurais. Tsvangirai, que qualificou a votação de farsa, fez umchamado logo cedo à população para se abster, mas disse quedeveriam ir às urnas se estivessem correndo perigo. "O que quer que aconteça, os resultados não serãoreconhecidos pelo mundo. Não importa o que você for forçado afazer, nós sabemos o que está no seu coração. Não ponha suavida em risco. A vitória do povo pode ser adiada, mas não seránegada", disse ele em um comunicado. O comparecimento ficou mais baixo nas áreas urbanas do quenas eleições parlamentares e presidencial de março, quando oseleitores fizeram filas desde cedo. Tsvangirai venceu a eleição presidencial de 29 de março,mas obteve uma votação pouco aquém da maioria necessária paraevitar o segundo turno. O Grupo dos Oito, que abrange as nações mais ricas domundo, condenou o Zimbábue por ter realizado o segundo turno eos EUA disseram que o Conselho de Segurança da ONU podeanalisar a imposição de novas sanções na semana que vem. Tsvangirai disse compreender a posição do presidentesul-africano, Thabo Mbeki, de reconhecer a reeleição de Mugabe,mas afirmou que seria um "sonho" esperar que seu partido, oMDC, integre um governo de unidade nacional com o partidoZANU-PF, de Mugabe. Mbeki, designado mediador regional no Zimbábue, tem sidoamplamente criticado por sua branda atitude em relação aMugabe, apesar de o Zimbábue atravessar uma crise econômica quelevou milhões de pessoas a buscar refúgio na África do Sul eoutros países. Tsvangirai disse que os eleitores receberam ordens deregistrar os números de sua cédula de votação para que seu votopossa ser identificado depois. Milícias pró-Mugabe ameaçarammatar qualquer pessoa que se abstiver ou votar na oposição,disse ele. O dedo mínimo do eleitor é marcado com tinta. (Reportagem adicional de MacDonald Dzirutwe e Nelson Banyaem Harare, John Chalmers em Tóquio, Dan Wallis em Sharmel-Sheikh, Marius Bosch e Michael Georgy em Johannesburgo)

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