Eleitores formam filas para criar Sudão do Sul

Referendo, que levará 7 dias, deve dividir o maior país da África em dois Estados independentes; Obama oferece apoio

AP e AFP, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2011 | 00h00

JUBA, SUDÃO

Uma multidão de sudaneses aguardou horas em filas diante de seções eleitorais no primeiro dia de referendo sobre a criação de um Estado independente no sul do país, o Sudão do Sul. A votação deverá durar uma semana e espera-se que os 3,9 milhões de eleitores sudaneses da região decidam pela independência.

Se o resultado for confirmado nas urnas, a porção sul do atual Sudão - região majoritariamente cristã e rica em petróleo - ficará sob o comando do presidente Salva Kiir. "Este é um momento histórico que o povo do Sudão do Sul estava aguardando", comemorou Kiir ao depositar seu voto em Juba, capital do sul.

Com seu tradicional chapelão cowboy preto e visivelmente emocionado, o líder homenageou os dois milhões de sudaneses que morreram na guerra civil (1983-2005). Ao seu lado, estava o ator George Clooney, que vem conduzindo uma intensa campanha nos EUA em busca de apoio à independência do Estado africano.

Em artigo publicado ontem no jornal The New York Times, o presidente Barack Obama afirmou que sudaneses têm agora a chance de "virar a página e escrever um novo capítulo de sua história". "É uma oportunidade para o povo do sul do Sudão."

Majoritariamente muçulmana, a região norte do Sudão deverá permanecer sob controle do presidente Omar al-Bashir, acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de genocídio e crimes de guerra na região de Darfur. Por anos, Bashir tentou postergar o referendo iniciado ontem, mas o líder promete que respeitará a decisão das urnas.

A eventual cisão do maior país da África deve levar a uma situação econômica ainda mais difícil para os dois lados. Isso porque o petróleo sudanês está concentrado no sul do país, que deve conquistar sua independência, mas os principais dutos para escoá-lo até o Mar Vermelho estão no norte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.