''Eles não eram seres humanos, eram pura maldade'', diz cadete refém

Paredes cobertas de sangue e metais retorcidos por explosões marcavam o cenário deixado para trás por atiradores que tomaram o controle da academia de polícia em Lahore. Sobreviventes do ataque de ontem descreveram as horas em que ficaram reféns como infernais e desesperadoras."As oito horas pareceram oito séculos", afirmou Mohammad Salman, de 23 anos, um dos reféns. "Foi como se eu tivesse morrido várias vezes."Dezenas de cadetes com aparência cansada se aglomeravam nos arredores da academia, procurando por amigos e familiares. Muitos deles se abraçavam aliviados e davam as mãos em sinal de solidariedade. "Eu não posso falar o que eu vi nem o tipo de terror pelo qual eu passei", disse o cadete Zahid Usman, de 19 anos. "Eles não eram seres humanos, não eram muçulmanos. Eles eram pura maldade."De acordo com o governo paquistanês, "centenas" de oficiais do Exército e atiradores de elite foram convocados para trabalhar na operação.Acredita-se que entre 15 e 20 atiradores participaram do ataque - a maioria deles na faixa dos 20 anos. Especialistas militares e de inteligência afirmaram que o ataque foi cuidadosamente orquestrado. "Isso (atentado) levou várias semanas para ser planejado, alguém deveria ter pressentido que isso iria ocorrer", disse Masood Sharif, ex-chefe de inteligência de Lahore.

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