Elite ameaça novo golpe em Honduras, diz Lobo

Um ano após destituição de Manuel Zelaya, novo presidente hondurenho ataca os empresários do país; oposição diz que denúncia é manobra política

, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

O golpe de Estado que depôs Manuel Zelaya da presidência de Honduras completou um ano ontem, mas o país ainda está longe da estabilidade política. O novo presidente, Porfirio "Pepe" Lobo, eleito em novembro, advertiu que ele será a próxima vítima dos mesmos empresários ricos que derrubaram Zelaya. Lobo é um fazendeiro rico que apoiou o golpe e surpreendeu muitos hondurenhos quando fez essa denúncia, no início de junho. "Eu sei quem vocês são", afirmou.

Em maio e junho, segundo pessoas ligadas ao atual governo, membros do conservador Partido Nacional, de Lobo, teriam realizado pelo menos três reuniões na capital Tegucigalpa para discutir uma "ação radical" contra o presidente.

"Quando membros do setor político e empresários com poder econômico começam a falar assim, você tem que tomar as medidas necessárias", disse ontem o ministro da Segurança, Oscar Alvarez. "Se eles fizeram isso uma vez, podem muito bem fazer de novo."

Na sexta-feira, Lobo atacou a elite do país e disse que as conspirações "não irão a lugar nenhum". "Os empresários hondurenhos deveriam começar a trabalhar mais por Honduras, em vez de ficar pensando em outras coisas."

Oposição. A reação de Lobo pode ser encarada como um contra-ataque, já que na semana passada Miguel Facusse, um dos maiores magnatas do país, escreveu um duro artigo no jornal El Heraldo, um dos principais de Honduras. "As expropriações estão começando em Honduras", afirmou.

O empresário Benjamin Bogran, diretor do Conselho Hondurenho de Empresas Privadas (Cohep), reconhece que a um setor da extrema direita do país que está "nervosa" com os rumos da política empreendida por Lobo, mas nega qualquer conspiração contra o presidente.

O opositor Juan Barahona, um dos líderes do movimento antigolpista, descarta qualquer conspiração contra o presidente e afirma que Lobo está apenas usando essa estratégia para ganhar a simpatia de setores da esquerda e passar uma falsa impressão de independência da elite empresarial.

Controle. "Esse regime é controlado pelos grandes empresários do país", disse. "É uma continuação do golpe do ano passado. Os simpatizantes de Zelaya, que se opõem ao governo, estão sendo silenciados por uma política de tortura e assassinatos." / REUTERS E AP

PARA ENTENDER

Há controvérsias sobre a volta do ex-presidente Manuel Zelaya ao país. Alguns analistas dizem que seria a solução para a crise política, enquanto outros afirmam que só agravaria a tensão. O retorno é uma das condições de alguns países - incluindo Brasil, Venezuela e Argentina - reconheçam o governo de Porfírio "Pepe" Lobo.

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