Elite do Exército argelino comandou ação

Grupo de Intervenção Especial é conhecido pela violência e por não se importar com baixas entre a população civil

ROBERTO GODOY, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2013 | 02h06

A operação militar contra as instalações da usina de In Amenas está cercada de mistério, mesmo na Argélia. Especialistas independentes, como Richard Clarke, ex-assessor para assuntos de terrorismo do governo de George W. Bush, consideram a possibilidade do fator surpresa até mesmo para o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika.

Aparentemente, foi mobilizado um time do Grupo de Intervenção Especial (GIE), agregado à 40.ª Divisão argelina e conhecido pela violência. O contingente, estimado entre 300 e 500 militares, segue o mesmo treinamento da tropa russa Spetnaz, herança do velho regime soviético. Além da seleção física inicial - não há vagas para os pequenos e fracos - a tropa admitida passa por cinco semanas de triagem.

Nessa etapa, 25% desistem. Até o final, terão pedido para sair outros 60% - os remanescentes estarão habilitados para fazer saltos de paraquedas, mergulhar, executar tiro de precisão e, sobretudo, envolver-se na luta corpo a corpo com lâminas. O armamento individual padrão é o fuzil AK-47 e uma pistola automática. Ao menos 1 em cada 12 homens é piloto de helicóptero.

No Exército argelino, uma das missões do grupo é a neutralização ou captura de sequestradores - um conceito bem diferente da ação tática para libertação de reféns, ainda que pela força. No ataque de ontem à refinaria, foram empregados helicópteros armados e de transporte. Os Mi-24 russos levam, além dos dois pilotos, um técnico e mais oito soldados equipados.

A aeronave mede 17 metros, pesa 12 toneladas e faz chover fogo sobre os alvos com uma mistura de canhões de 23 mm e 30 mm, associados à metralhadora 12.7 mm, e lançadores de foguetes de grosso calibre de 240 mm. Eventualmente, ela poderá receber até 1,5 mil quilos de cargas externas - bombas ou tanques de combustível.

Doutrina cruel. O pacote tecnológico e a tropa especial estão disponíveis para atender a uma doutrina cruel. Assim como os instrutores russos do time Alpha, o GIE da Argélia considera que as pessoas retidas devem ser contabilizadas como baixas - mortos e feridos. O esforço é dirigido para a punição dos sequestradores.

Foi assim na escola de Beslan, na Ossétia, em setembro de 2004. Depois da entrada da força russa, restaram 783 feridos e 385 mortos, entre eles 31 rebeldes chechenos. Só um homem foi preso. Em 2002, no Teatro Dubrovka, em Moscou, 850 espectadores foram aprisionados. Um comando checheno de 42 militantes exigia a retirada das tropas russas da região como condição para a libertação. Os mesmos militares que agiriam mais tarde em Beslan saturaram a sala com um gás letal. Morreram 39 terroristas e 200 homens, mulheres e crianças - todos na plateia .

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.