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O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2015 | 05h05

LONDRES - Em um dia histórico para a monarquia britânica, a rainha Elizabeth II, de 89 anos, se tornou nesta quarta-feira, 9, a monarca há mais tempo no trono britânico, com um reinado que começou 63 anos e 7 meses atrás, quando ela tinha apenas 25 anos.

Elizabeth II assumiu o trono britânico em 6 de fevereiro de 1952, dia em que seu pai, George VI, morreu enquanto dormia. Antes do novo recorde, a monarca britânica a ocupar o cargo por mais tempo havia sido a rainha Victória, tataravó de Elizabeth II, que reinou por 23.226 dias, 16 horas e 23 minutos.

Elizabeth II também "tomou" outro recorde de Victória: em dezembro de 2007, tornou-se a monarca britânica mais velha ainda no trono - quando morreu, Victória tinha 81 anos. Além disso, em maio de 2011, Elizabeth II havia ultrapassado o rei George III, que ocupou o trono real por 59 anos, estabelecendo na ocasião o segundo reinado mais longo da coroa britânica.

Depois de tantos anos à frente da realeza britânica, Elizabeth II testemunhou muitos dos avanços que transformaram o mundo moderno em que vivemos hoje. Ela foi a primeira monarca britânica a enviar uma mensagem à lua - em 21 de julho de 1969, durante a missão Apolo 11 - , a enviar um e-mail - em 26 de março de 1976 -, a organizar um concerto público no quintal do Palácio e a publicar uma mensagem no Twitter - em outubro de 2014 -, entre outros feitos históricos.

Em entrevista ao jornal britânico The Independent em agosto, a historiadora Kate Williams, autora entre outros livros sobre a realeza britânica de "Young Elizabeth: The Making of our Queen" (A jovem Elizabeth: a criação da nossa rainha, em tradução livre), afirmou que a nova marca da rainha é "muito significante" porque ela assumiu o trono aproximadamente sete anos mais velha do que sua tataravó, que tinha apenas 18 anos quando foi coroada.

"(Este recorde) mostra que as nossas monarcas femininas são as mais duradouras. A longevidade da rainha é uma grande fonte de sua força e popularidade", disse Kate. "Ela passou pela 2ª Guerra e pelo século20. Muitas pessoas não conhecerão outra monarca."

Números. Além de todos os recordes em relação à coroa britânica, com a marca desta quinta-feira Elizabeth II é atualmente a segunda monarca viva há mais tempo no trono, em todo o mundo. Ela está atrás do rei Bhumibol Adulyadej, da Tailândia, há mais de 69 anos no trono, mas que raramente é visto em público. A rainha britânica também ocupa a 49ª posição na lista dos reinados mais longevos da história.

De acordo com o Livro Guinness dos Recordes, Elizabeth II também ostenta o título de individuo a estampar a maior quantidade de moedas em todo o mundo - com aparições no dinheiro de pelo menos 35 diferentes nações - graças ao cargo de Chefe da Comunidade Britânica, que ocupa desde sua coroação.

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09 Setembro 2015 | 05h00

LONDRES - A casa da moeda do Reino Unido (Royal Mint) lançou na terça-feira, 1, uma edição especial de moedas que celebra o reinado de Elizabeth II.

A peça de prata, com um valor de 20 libras (cerca de R$ 112), mostra os cinco retratos de Elizabeth II que apareceram em moedas e bilhetes britânicos desde sua coroação.

"Este evento histórico não só é memorável para a nação, mas para a fábrica de moeda, que cunhou moedas de reis e rainhas britânicos nos últimos mil anos", disse Shane Bissett, diretor de Medalhas e Moedas Comemorativas da Royal Mint.

"Exceto algumas lembranças extra-oficiais em homenagem à rainha Victoria em 1897, nunca foram produzidas moedas para marcar que um monarca se transforma no mais longevo em seu país. Isso torna estas moedas ainda mais distintivas", disse Bissett.

O desenhista da nova peça de prata, Stephen Taylor, assinalou que seu objetivo era "transmitir como Elizabeth II foi amadurecendo através de suas efígies nas moedas".

"Combinar os cinco retratos foi um desafio, já que sua composição é bastante distinta. Varia a forma como estão delineados, seu tamanho, a coroa que leva a efígie e outros detalhes", afirmou Taylor. / EFE

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09 Setembro 2015 | 05h00

LONDRES  - Ela só se tornou rainha por uma ironia do destino, mas agora, aos 89 anos, Elizabeth II se transformou na monarca há mais tempo no trono britânico, em um reinado que vai da era pós-guerra até a era digital.

Uma constante num mundo em contínua mudança, ela está no auge de seu prestígio e "encarna a história do século 20", segundo a historiadora Kate Williams.

A rainha se reuniu com a maioria das principais figuras da história recente, do primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, ao imperador japonês Hirohito passando pelo general francês                que virou estadista, Charles de Gaulle.

Nelson Mandela, ícone da luta contra o Apartheid, na África do Sul, chamava Elizabeth II -cujo reinado testemunhou construção e a queda do Muro de Berlim - de "sua amiga". 

O amplo império britânico da era vitoriana, em que se dizia que o sol nunca se punha, diminuiu para poucos países remanescentes durante seu reinado. O caso mais recentemente foi a devolução de Hong Kong à China em 1997.

No entanto, mesmo em partes distantes do mundo, "quando as pessoas se referem à rainha, quase sempre isso significa a nossa rainha", diz John Major, um dos 12 primeiros-ministros britânico a ocupar o número 10 Downing Street, residência oficial e o escritório premiê britânico, durante o reinado de Elizabeth II.

Ascenção. O nascimento de Elizabeth Alexandra Mary Windsor, em 21 de abril de 1926, foi um acontecimento relativamente pequeno para um mundo oscilando entre duas grandes guerras e apenas três anos da Grande Depressão.

"Lilibet" (apelido para Elizabeth, em inglês), a jovem de cabelos encaracolados, estava destinada para o casamento, não ao trono.

Mas depois de reinar por apenas 325 dias, seu tio Edward VIII - que não tinha herdeiros - abdicou em 1936 para casar-se com Wallis Simpson, uma americana divorciada duas vezes.

O pai da princesa Elizabeth herdou a coroa como George VI, e de repente ela também se tornou herdeira do trono.

Quando a jovem Elizabeth e sua irmã Margaret tiveram que se mudar para o Palácio de Buckingham, ela perguntou para sua babá: "O que? Você quer dizer para sempre?"

Em seu 21º aniversário, ela prometeu passar a vida servindo seu país.

Em 20 de novembro de 1947 ela se casou com Philip - um primo distante que renunciou seus títulos como príncipe da Grécia e Dinamarca e sua carreira na Marinha Real para ficar com ela. Elizabeth II o descreveu como sua "força e estadia".

Quando George VI morreu aos 56, em 1952, ela se tornou rainha com apenas 25 anos e com dois filhos pequenos: Charles (nascido em 1948) e Anne (de 1950). Outros dois vieram depois -  Andrew (1960) e Edward (1964).

Seu papel é altamente cerimonial e ela permanece acima da batalha política. Todos os anos, ela lê o programa do governo na reabertura do Parlamento.

Sua voz permanece neutra e aguda, mesmo quando as propostas incluem medidas que ela se oporia, como a proibição da tradicional da caça à raposa.

A "Senhora", como seus súditos se dirigem a ela, também preside a Commonwealth, composta por 54 membros, incluindo 15 ex-colônias onde ela ainda é a soberano, como Austrália e Canadá.

Normalmente, vestida com cores brilhantes, para ser vista por todos, apesar de seu pequeno tamanho, a rainha realizou algumas visitas inovadoras e exóticas, incluindo à China, ao Vaticano e às Ilhas Cocos.

"O principal papel da monarquia é vender a marca britânica e a rainha é muito boa no que faz", disse o biógrafo real Robert Jobson.

Annus horribilis. Apesar do respeito que ela conquistou, seu reinado teve uma série de altos e baixos.

Em 1981, seu herdeiro Charles se casou com Diana em um casamento de conto de fadas que rapidamente não deu certo, apesar do nascimento de seus dois filhos William e Harry.

Elizabeth II considera 1992 seu "annus horribilis" (ano horrível, em tradução livre do latim) quando os casamentos de três de seus filhos - Charles, Anne e Andrew - terminaram e seu castelo em Windsor foi parcialmente destruído em um incêndio.

Em 1997, a rainha foi acusada de insensibilidade enquanto seus súditos choravam pela morte de Diana em um acidente de carro em Paris. Elizabeth II permaneceu em sua propriedade rural na Escócia por dias antes de reconhecer a multidão de enlutados, em Londres.

Nas duas décadas desde então, houve uma notável reviravolta para a monarquia - ajudada por uma máquina poderosa das comunicações.

A rainha cortou o orçamento do palácio e o casamento de William com Kate Middleton, que veio da classe média britânica, ajudou a criar a imagem de uma monarquia mais moderna.

Ela já visitou 132 países, posou para 139 retratos e fez milhares de discursos, mas nunca concedeu uma entrevista. Sua vida privada é um grande mistério.

O site oficial da monarquia britânica diz que ela ainda anda a cavalo e tem 30 cães Corgi em seus palácios.

Indiscrições raras de frequentadores do palácio revelaram o amor de Elizabeth II pelo jornal Racing Post, especializado nos páreos, em Dubonnet - aperitivo doce - e gim antes do almoço e em palavras cruzadas. / AFP

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09 Setembro 2015 | 05h00

LONDRES  - Após 63 anos de reinado, a rainha Elizabeth se torna nesta quarta-feira, 9, a monarca britânica a permanecer mais tempo no trono, mas há pouca perspectiva de que vá abdicar, como fizeram outros reis europeus, em favor de seu filho, Charles.

As pessoas próximas de Elizabeth, de 89 anos - que supera o período no trono de sua tataravó, a rainha Vitória -, dizem que ela não tem intenção de sucumbir à moda europeia da abdicação.

Isso significa que o príncipe Charles, de 66 anos, já detentor do recorde britânico de herdeiro ao trono pelo período mais longo, terá que esperar mais tempo ainda até se tornar rei.

"Eu declaro diante de todos vocês que toda a minha vida, seja ela longa ou curta, será dedicada a seu serviço e ao serviço da nossa grande família imperial", disse Elizabeth aos 21 anos, em um pronunciamento à nação, em 1947.

O marco de ultrapassagem da rainha Vitória provocou especulações sobre se Elizabeth poderia deixar o trono. Quando perguntada, no mês passado, se abdicação era uma possibilidade, uma fonte de alto escalão do palácio disse: "A vida significa a vida", em referência ao discurso de Elizabeth.

As conotações religiosas da coroação britânica são profundamente simbólicas para Elizabeth, que, como rainha, é a chefe suprema da Igreja da Inglaterra (Anglicana).

"A rainha não vai abdicar, ela não deve abdicar, não há absolutamente nenhuma razão para ela abdicar e, na verdade, constitucional e religiosamente, ela não pode abdicar: ela é uma rainha ungida", disse o historiador real Hugo Vickers à Reuters.

Margaret Rhodes, prima da rainha e amiga desde a infância, acredita que ela nunca vai romper seu compromisso com a nação.

A abdicação em 1936 do tio da rainha, Edward VIII - por razões amorosas, e não por velhice - foi bastante traumática, mergulhando a monarquia em uma crise constitucional que pôs o inseguro pai dela no trono.

Na Grã-Bretanha, no entanto, há poucos pedidos de abdicação de Elizabeth e nem sequer algum clamor para que Charles seja rei. Na realidade, o oposto seria mais provável.

Charles, que foi preparado desde o nascimento para um dia ser rei, é menos popular do que sua mãe. Em uma pesquisa feita em abril, 53% dos britânicos disseram que gostavam dele em comparação com 77% que gostam da rainha.

Apenas 19% dos britânicos querem uma república, em comparação com 70% que apoiam a monarquia. / REUTERS

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