JOAQUIN SARMIENTO / AFP
JOAQUIN SARMIENTO / AFP

ELN acusa governo da Colômbia de acabar com processo de paz

Segundo a guerrilha, exigência feita pelo presidente Iván Duque de que o grupo liberte todos os reféns para voltar a negociar é inaceitável; Alto Comissário para a Paz diz que governo mantém vontade de negociar, mas exige 'fatos concretos'

O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2018 | 09h53

BOGOTÁ - A guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) acusou o presidente da Colômbia, Iván Duque, de acabar com o processo de paz, ao não reconhecer acordo e apresentar "condições inaceitáveis" para retornar à mesa de diálogo em Cuba.

"Ao não reconhecer os acordos alcançados com o Estado e colocar, unilateralmente, condições inaceitáveis, este governo está encerrando esta mesa, acabando com o processo de diálogos e os esforços feitos há vários anos pelo ELN, a sociedade, o governo anterior e a comunidade internacional", afirma o site ELN-Voces, que representa o grupo.

Depois das acusações da guerrilha, o Alto Comissário para a Paz, Miguel Ceballos, afirmou que o governo mantém a vontade de negociar com o ELN. "O governo colombiano segue expressando sua vontade de paz, mas com fatos concretos, não com retórica", disse Ceballos a Caracol Radio.

Duque, que assumiu o poder no mês passado, afirmou no sábado que o plano de paz que era negociado em Cuba seria retomado pelo novo governo apenas se a guerrilha libertasse antes "todos os reféns".

O governante vinculou o destino das negociações iniciadas com o ELN por seu antecessor, o Nobel da Paz Juan Manuel Santos, não somente à libertação dos seis sequestrados de um grupo de nove que a guerrilha havia proposto, e sim à liberdade para todas as pessoas em poder do grupo.

Em seu comunicado, o ELN afirma que conceder aos militares a gestão das libertações e negar um acordo para os protocolos de entrega colocariam em risco a vida dos reféns.

Com mais de 1.500 combatentes e uma extensa rede de apoio, o ELN ofereceu a libertação por conta própria e apesar da ausência de acordos de nove policiais, militares e civis sequestrados em agosto, ao final dos diálogos de um ano e meio com o ex-presidente Santos.

Na quarta-feira, a guerrilha entregou três militares, que segundo as autoridades tinham sido sequestrados quando estavam à paisana e desarmados em Arauca, perto da fronteira com a Venezuela. "Assim que encontrarmos uma forma de superar as fortes operações das Forças Armadas em Chocó, cumpriremos com estas libertações que faltam", afirma um comunicado do ELN.

O governo calcula que pelo menos 16 reféns permanecem sob poder do ELN, que historicamente financia suas atividades com sequestros e extorsões para apoiar a rebelião armada de mais de meio século.

Reconhecida oficialmente como a última organização de guerrilha na Colômbia, as autoridades acreditam que o ELN também atua no narcotráfico e na mineração ilegal.

A guerrilha pediu a retomada do diálogo. "Nós persistiremos neste processo de diálogo, nossa delegação (em Havana) segue ativa e à espera de sua continuidade. Seguiremos buscando saídas e opções de paz".

O ELN é a última guerrilha que resta no país depois do desarmamento e transformação em partido das FARC, que assinaram um acordo de paz com Santos. / AFP

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