REUTERS/Federico Rios
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ELN anuncia cessar-fogo de ações militares durante eleições legislativas na Colômbia

Diálogos de paz da guerrilha com o governo estão congelados desde o fim de janeiro, após uma ofensiva rebelde contra delegacias que deixou oito agentes mortos e dezenas de feridos

O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 11h44

BOGOTÁ - A guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), cujos diálogos de paz com o governo da Colômbia estão congelados, anunciou um cessar-fogo de suas atividades armadas durante as eleições legislativas que serão realizadas no dia 11 de março no país.

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"O Exército de Libertação Nacional (ELN) realizará um cessar das operações militares ofensivas, entre os dias 9 e 13 de março próximos", indicou o grupo rebelde em um comunicado divulgado nesta segunda-feira, 26.

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A última guerrilha da Colômbia também defendeu a retomada dos diálogos de paz com o governo de Juan Manuel Santos, congelados no fim de janeiro pelo presidente depois de uma ofensiva rebelde contra delegacias que deixou oito agentes mortos e dezenas de feridos.

"A agenda deve continuar se desenvolvendo com rigor e rapidez (...) para buscar um acordo que supere os confrontos armados e acerte transformações na busca de uma Colômbia em paz e igualdade", acrescentou.

Santos suspendeu as conversas, instaladas em Quito há um ano, depois de um ataque guerrilheiro iniciado horas depois do fim da primeira trégua bilateral com o grupo em meio século de conflito. "Este é o tipo de gesto que nós estávamos pedindo", afirmou o chefe de Estado à emissora LaFM.

Santos assegurou também que vai estudar o comunicado e depois tomará uma decisão. Ambas as partes se mostraram dispostas a acertar um novo cessar-fogo e retomar os diálogos, mas a delegação governamental permanece na Colômbia.

"Propomos ao presidente Santos fixar uma data de início do Quinto Ciclo de conversações para que envie sua Delegação de Diálogo a Quito", assinalou o ELN no texto.

O presidente colombiano, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2016 por seus esforços para finalizar o confronto armado em seu país, busca alcançar com o ELN um acordo similar ao assinado no fim daquele ano com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), já desarmadas e transformadas no partido político Força Alternativa Revolucionária do Comum.

Depois do histórico pacto, a ex-guerrilha participará das eleições legislativas de março e das presidenciais de maio, nas quais os colombianos elegerão o sucessor de Santos.

Os ex-guerrilheiros têm garantidos 10 cadeiras no Congresso, apesar de terem de participar igualmente da votação, segundo o combinado depois de quatro anos de negociações em Havana.

Santos, que em agosto conclui seu segundo mandato de quatro anos, está impedido por lei de se candidatar a outro período presidencial. A Colômbia quer colocar um fim ao conflito armado que em meio século deixou cerca de oito milhões de vítimas entre mortos, desaparecidos e deslocados. / AFP

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