REUTERS/Federico Rios
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Apesar do assassinato de líder indígena, governo colombiano mantém cessar-fogo com ELN

Guerrilha admitiu ter matado Aulio Isarama Forastero e explicou que o havia retido para ‘investigá-lo’ por supostas ligações com ‘a inteligência militar’; esta é a primeira violação do acordo bilateral e temporário em vigor desde o dia 1.º de outubro

O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 09h30
Atualizado 30 Outubro 2017 | 11h40

BOGOTÁ - O Exército de Libertação Nacional (ELN), última guerrilha da Colômbia, reconheceu no domingo que matou, há seis dias, um líder indígena, na primeira violação ao cessar-fogo bilateral durante os diálogos de paz com o governo. Apesar disso, o governo colombiano anunciou nesta segunda-feira, 30, que manterá o pacto por enquanto.

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"Nenhum incidente por si mesmo será a causa de uma ruptura do cessar-fogo de forma unilateral e automática", esclareceu o escritório do comissário da Paz em um comunicado, acrescentando que o caso será avaliado pelas partes que apoiam os diálogos de paz em Quito.

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Em um comunicado do ELN sobre a morte do governador indígena Aulio Isarama Forastero no departamento de Chocó, noroeste do país, o grupo disse: "Lamentamos profundamente o fato e pedimos perdão por este caso doloroso a seus parentes e amigos".

A guerrilha defende que reteve Isarama, governador da reserva Catru Dubaza Ancoso de Alto Baudó, para "investigá-lo" por supostas ligações com "a inteligência militar". O reconhecimento do assassinato do líder indígena constitui a primeira violação do cessar-fogo bilateral e temporário, em vigor desde o dia 1.º de outubro até 9 de janeiro, após um acordo entre o governo e o ELN no âmbito das negociações de paz de Quito.

"Deplorável de todos os pontos de vista. E decepcionante", escreveu no Twitter o líder do governo nas negociações, Juan Camilo Restrepo. Ele pediu uma declaração do mecanismo de acompanhamento e verificação do cessar-fogo, integrado pelas duas partes, a ONU e a Igreja Católica, sobre o que chamou de "crime repudiável".

Isarama foi assassinado na terça-feira 24. A Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) informou que cinco guerrilheiros do ELN o levaram de sua comunidade.

O governo do presidente Juan Manuel Santos e o ELN, que tem quase 1,5 mil combatentes, negociam para superar um conflito armado de mais de 50 anos.

Com os diálogos com a guerrilha, o governo busca a "paz completa" após a assinatura de um acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), atualmente desarmada e convertida em partido político.

Além do ELN, na Colômbia também atuam grupos criminosos de origem paramilitar, dissidências das Farc e narcotraficantes. / AFP

 

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