Elo com oposição fez magnata ir à ruína

O magnata russo Mikhail Khodorkovski, caiu em desgraça há 10 anos ao desafiar o presidente Vladimir Putin - que não hesitou em despejar toda sua ira contra o homem que foi o mais rico da Rússia. Muitos acham que o magnata do petróleo jamais teria sofrido represálias se não tivesse decidido financiar a oposição ao Kremlin, uma ousadia que lhe custou a prisão e o confisco de sua petrolífera, a Yukos, a maior da Rússia.

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2013 | 02h07

Como resultado, Khodorkovski passou os últimos dez anos numa prisão da distante região siberiana de Chita, fronteira com China e a Mongólia. Como muitos outros empresários russos, ele fez fortuna nos anos turbulentos das privatizações, logo após a queda da URSS. Em 1999, o empresário decidiu legalizar as operações da Yukos, que se transformou na companhia mais transparente da Rússia de acordo com as grandes empresas de auditoria ocidentais.

Antes da sua prisão, em 2003, o oligarca era uma mais pessoas mais influentes do país. O oligarca considerava-se uma figura intocável a ponto de, numa reunião com Putin, censurá-lo pela corrupção desenfreada existente no governo.

O empresário nasceu em 1963 em Moscou, em uma família de engenheiros, e iniciou sua carreira empresarial em 1987, em pleno período da Perestroika, fundando com alguns amigos uma empresa de compra e venda de computadores e, depois, de importação e exportação, negócio que lhe propiciou seus primeiros lucros. Em 1991 fundou o Menatep, um dos primeiros bancos privados da Rússia, que se expandiu rapidamente quando foi incumbido da gestão de fundos de indenização às vítimas da catástrofe nuclear de Chernobyl.

Khodorkovski multiplicou sua fortuna ao adquirir por uma pechincha empresas estatais soviéticas recém-privatizadas - a Yukos custou US$ 350 milhões. Mas ele não deu importância aos alertas enviados pelo Kremlin e começou a financiar partidos de oposição liberais, como o Yabloko, o único que se opôs desde o início à guerra na Chechênia.

Em outubro de 2003, às vésperas das eleições parlamentares, ele foi preso por uma unidade especial quando estava em seu avião particular no aeroporto de Novosibirsk, na Sibéria. / EFE

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