Hussein Malla/AP
Hussein Malla/AP

Elo entre Hezbollah e tráfico na América Latina preocupa EUA

Militante que construiu túnel em Israel teria recebido treinamento de cartéis no México, diz governo israelense

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2018 | 05h00

A relação entre grupos terroristas islâmicos e narcotraficantes latino-americanos é um foco de preocupação da seção de contraterrorismo do Departamento de Estado para a região. Um exemplo disso é a cooperação entre Hezbollah e cartéis no México, apontada pelos governos americano e de Israel. Outro foco de escrutínio é a relação entre o governo da Venezuela e o Irã, bem como a rede de financiadores do grupo xiita libanês na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

Essa preocupação aumentou no governo do presidente Donald Trump e se reflete nas recentes sanções impostas ao grupo nos últimos dois meses, tanto pelo Departamento do Tesouro, quanto por um projeto de lei sancionado pelo presidente em outubro.

“Temos de estar atentos ao risco que se estabeleçam relações entre grupos terroristas e o crime organizado. Se adaptam fácil e trabalham com qualquer parceiro. Os terroristas são oportunistas e buscam qualquer oportunidade para mover armas e pessoal”, disse o coordenador de contraterrorismo para o hemisfério ocidental do Departamento de Estado, Nathan Sales, em uma videoconferência com jornalistas da região. “ Temos evidência de que ao pressionar o Irã com sanções o Hezbollah perdeu dinheiro para suas ações no futuro.”

Segundo o diplomata, esse padrão de conexão do Hezbollah com grupos criminosos pode ser verificado no México, na Venezuela e na Tríplice Fronteira. “O Hezbollah tem redes de arrecadação de fundos em várias partes do mundo, não só no Oriente Médio, como na África e na América do Sul também. Uma dessas fontes mais ativas é na Tríplice Fronteira”, disse. “O governo venezuelano não tem vergonha de se associar aos atores mais sórdidos, o Irã entre eles.”

Casos.

No começo da semana, o Exército de Israel desmontou uma rede de túneis atribuída ao Hezbollah na fronteira com o Líbano. Um dos responsáveis pelo túnel, identificado como Imad Fahs, recebeu treinamento de cartéis mexicanos, segundo o governo israelense.

Indícios da relação entre o Hezbollah e os cartéis não são novos. Um relatório da polícia do Arizona de 2011 indica que o Hezbollah possuía um estoque de armas no México. Um ano antes, um militante do grupo chegou a ser detido no país. Em 2013, um americano de origem iraniana pagou US$ 1,5 milhão para membros do cartel Los Zetas para uma tentativa de assassinato frustrada do embaixador saudita Adel al-Jubeir, no Texas.

Já as relações do Irã com o governo venezuelano estão no foco do governo americano desde 2007, quando os dois países inauguraram um voo direto entre Caracas e Teerã. Segundo relatório do departamento de Estado, os passageiros do voo não eram submetidos a trâmites de imigração comuns, o que levantou suspeitas sobre as viagens.

No Brasil, um relatório da Polícia Federal sobre a Operação Spectro, de 2008, alertou para a proximidade entre cidadãos libaneses suspeitos de vínculo com o Hezbollah com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Há dois meses, a PF prendeu em Foz do Iguaçu Assad Ahmad Bakarat, apontado como o principal financiador do Hezbollah na região. “Temos muito interesse no desenvolvimento desse caso”, disse o embaixador.

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