REUTERS/Juan Medina
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Em 1ª votação, Parlamento impede posse de Rajoy

Na prática, o atual premiê ainda tem mais uma chance, em votação marcada para a sexta-feira, mas desde já cresce a probabilidade de convocação de nova eleição – a terceira no intervalo de um ano

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2016 | 20h40

O Parlamento da Espanha recusou nesta quarta-feira, 31, um voto de confiança ao primeiro-ministro em exercício, Mariano Rajoy, que negocia a formação de novo governo após oito meses de impasse político no país. Em uma sessão marcada por duros ataques contra o líder do Partido Popular (PP), 180 deputados votaram contra sua posse, e 170 a favor.

Na prática, o atual premiê ainda tem mais uma chance, em votação marcada para a sexta-feira, mas desde já cresce a probabilidade de convocação de nova eleição – a terceira no intervalo de um ano.

A sessão do Parlamento que avaliou o voto de confiança a Rajoy teve início às 9h, mas o resultado só foi conhecido depois das 18h. No intervalo, todos os líderes partidários discursaram, com destaque para o duelo de palavras entre o premiê e o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez.

“Não venho aqui solicitar a sua confiança, senhor Sánchez. Venho para dizer: deixe-nos ao menos governar. Não bloqueie e não nos leve à convocação de uma terceira eleição”, exortou o conservador, dirigindo-se ao rival. 

Minutos depois, Sánchez respondeu de forma seca, negando um acordo. “O senhor não conta com a maioria necessária para cumprir sua ameaça de seguir quatro anos à frente do governo”, afirmou. “Não vamos nos abster. O problema é que você não é confiável.”

Mesmo tendo vencido as duas eleições, realizadas em dezembro e junho, com cerca de 30% de apoio, Rajoy foi incapaz de conquistar o apoio do mínimo de 176 deputados para obter a maioria no Parlamento e formar um gabinete. 

Impopular e altamente rejeitado entre políticos de oposição, o premiê foi torpedeado até por Albert Rivera, líder do partido liberal de centro-direita Ciudadanos, com quem firmou um acordo no domingo em torno de reformas eleitorais e um pacto anticorrupção.

“Os espanhóis pedem mudanças, mas nos obrigam a dialogar”, disse Rivera, explicando porque negocia com seu opositor. “Temos de escolher entre o mau e o menos mau.”

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