Em 100 dias, um novo mundo árabe

Dos distúrbios na Tunísia à intervenção do Ocidente na Líbia, revolta no Norte da África e Oriente Médio mudou os rumos da História

, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2011 | 00h00

Há cem dias, um rastilho de pólvora que ia do Norte da África ao Oriente Médio foi acionado por uma improvável fagulha: sufocado pela falta de liberdade, Mohamed Bouazizi, desempregado tunisiano, ateou fogo em seu próprio corpo em Túnis. Poderia ter sido mais um incidente em uma ditadura árabe de décadas, aliada ao Ocidente contra o fantasma do Islã radical. Não foi.

Poucos períodos no mundo árabe foram tão turbulentos quanto os últimos cem dias. Com a imolação de Bouazizi, uma onda de protestos inédita levou o governo da Tunísia. A onda ultrapassou duas fronteiras e chegou até o Egito, varrendo um dos aliados mais estratégicos de Washington no mundo árabe - a ditadura de Hosni Mubarak.

Dias após o fim do ditador Zine al-Abidine Ben Ali, a Praça Tahrir, no centro do Cairo, convertia-se no palco onde se encenava o destino do Egito. Era lá que milhares de cidadãos desarmados desafiavam agentes de Mubarak. Em menos de um mês, o ditador deixaria o poder.

A queda de Mubarak abalou as fundações da ordem no mundo árabe - e mesmo persa. Do Iêmen à Jordânia, do Bahrein à Síria, da Arábia Saudita ao Irã, o espectro da rebeldia - ecoada em sites como Facebook e Twitter - fez o aparato de repressão do Estado agir.

Na Líbia, porém, a truculência do governo contra opositores ganhou contornos ainda mais aterradores. Em quatro dias, Muamar Kadafi matou 400 de seus cidadãos. Exatos três meses após a imolação na Tunísia, a ONU autorizava uma intervenção na Líbia.

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