Em 1967, palestinos passam a usar explosivos em ataques

Especialistas dizem que atentados suicidas foram abandonados porque prejudicavam a imagem da causa palestina

Nathalia Watkins, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2011 | 00h00

JERUSALÉM

Jerusalém reviveu ontem a época do terror em Israel. Há pelo menos sete anos, a cidade não via a explosão de um ônibus. De acordo com Yaakov Bar Siman Tov, da Universidade Hebraica de Jerusalém, o ataque fez uso de uma antiga técnica palestina que teve diversas variações ao longo dos anos de militância e começou a ser utilizada em 1967, quando um carro-bomba foi detonado em Jerusalém.

Os atentados com homens-bomba começaram em 1994, mas, desde 2004, não ocorriam. "Essa é a bomba atômica dos palestinos. Eles pararam de utilizar os atentados com homens-bomba porque entenderam que prejudicavam a imagem da causa palestina, mas ainda há centenas deles que dispostos a morrer como mártires", afirma Siman Tov. "Quem pensava que o mundo árabe poderia sucumbir às revoluções e só esta região permaneceria imune, se enganou."

Segundo ele, o muro de separação não pode evitar ataques, uma vez que ainda não foi concluído. Apesar da barreira, inúmeros palestinos conseguem infiltrar-se todos os dias em busca de trabalho em Israel.

O analista Ehud Yaari, do Canal 2, noticiou que o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não tem interesse em um confronto com Israel no curto prazo e tentará evitar novos ataques. Para ele, a Jihad Islâmica estaria por trás da explosão.

Em Ramallah, o primeiro ministro palestino, Salam Fayyad, condenou o atentado e disse que a ação não está de acordo com o plano palestino de alcançar a paz pacificamente. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, emitiu nota semelhante condenando a explosão.

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