Em 2 dias de protestos, 54 morrem no Iêmen

Dissidentes ocupam base de guarda presidencial em Sanaa; ONU e Conselho do Golfo tentam acordo para renúncia

SANAA, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2011 | 06h06

Forças de segurança leais ao ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, mataram 54 pessoas nos últimos dois dias. Os ataques contra dissidentes deixaram 187 feridos na capital Sanaa. Dezenas de milhares de pessoas retornaram às ruas no domingo para pedir que Saleh - que se recupera na Arábia Saudita de um atentado que sofreu em junho - deixe o poder.

Ontem, milhares de dissidentes ocuparam uma base da guarda presidencial na capital, apoiados pela primeira divisão do Exército, que desertou em abril e apoia os manifestantes. Os rebeldes ergueram barricadas para proteger o quartel, mas não houve confronto. Os oficiais fugiram e o depósito de armas foi tomado pelos opositores.

Das 54 vítimas, 28 morreram ontem e 26, no domingo. Desde o início dos protestos pela saída de Saleh, em fevereiro, estima-se que 400 manifestantes tenham sido mortos no país. Na semana passada, o movimento pró-democracia retomou impulso com a insatisfação diante da indefinição sobre o futuro de Saleh. O vice-presidente Abed Rabbo Mansour Hadi hesita em negociar um acordo intermediado pelos EUA e pelo Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para que Saleh renuncie em troca de imunidade.

"Sabíamos que o regime mataria seus cidadãos", disse o ativista Manea al-Mattari, do Conselho da Juventude Revolucionária (CJR), um dos grupos contrários ao ditador. "Mas sabemos que temos o dever de derramar nosso sangue para que o mundo saiba quantos iemenitas desejam a liberdade."

Ontem, a guarda presidencial, comandada pelo filho de Saleh, Ahmed, tentou retomar uma área ocupada por manifestantes no domingo. Atiradores de elite posicionados no alto de prédios atiraram contra os ativistas. Algumas das vítimas foram atingidas por granadas propelidas por foguetes. Cópias do Alcorão, o livro sagrado do Islã, foram colocadas sobre seus corpos.

Diplomacia. O mediador da ONU, Jamal bin Omar, e o secretário-geral do CCG, Abdullatif al-Zayani, chegaram ontem a Sanaa para tentar um acordo para a saída do ditador, segundo fontes da oposição iemenita. "Esperamos que ele seja fechado esta semana", disse Al-Zayani.

Em Riad, Saleh reuniu-se ontem com o rei Abdullah, da Arábia Saudita. Na Suíça, o chanceler iemenita, Abubakr Abdullah al-Qirbi lamentou a violência e prometeu uma investigação sobre os abusos das forças de segurança. "O governo do Iêmen lamenta e condena todos os episódios de violência e derramamento de sangue de ontem (domingo) em Sanaa", disse Qirbi em discurso no Conselho de Direitos Humanos da ONU. "O governo investigará e punirá os responsáveis." Os EUA, a União Europeia e a ONU também criticaram ontem a repressão contra dissidentes no Iêmen. / AP, AFP e REUTERS

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